<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-5513232985402146187</id><updated>2011-08-16T12:34:38.012-07:00</updated><title type='text'>O Mundo de Henry</title><subtitle type='html'>Quem sabe o que se passa na cabeça das pessoas? Henry McIllan sabe</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://omundodehenry.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5513232985402146187/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omundodehenry.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Henry McIllan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01925446600729867047</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://1.bp.blogspot.com/_M14r8xTf4RE/SVaVDR3_d0I/AAAAAAAAACQ/eJQRJbgsPhw/S220/perfil.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>20</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5513232985402146187.post-5579545045251073053</id><published>2011-06-09T22:30:00.000-07:00</published><updated>2011-06-10T13:01:09.834-07:00</updated><title type='text'>Farsa</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-O3Tuqikkyd0/TfGtux_an2I/AAAAAAAAAIA/AmbVb6HkHdM/s1600/pao-quente.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 214px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-O3Tuqikkyd0/TfGtux_an2I/AAAAAAAAAIA/AmbVb6HkHdM/s320/pao-quente.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5616461229512630114" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;!--StartFragment--&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:arial;"&gt;Aquilo era o que ela mais gostava. Ele a pegava pelas pernas, a virava de quatro e dava-lhe um tapa estalado na bunda. Olhava pra ele de rabo de olho, fazia a cara mais lasciva que conseguia puxar da memória e falava com um sorrisinho sacana “vai, me come.” Nem deu tempo. Na hora em que ele já preparava para meter, ela ouviu o celular. E o toque personalizado já denunciava quem seria. Soltaram um duplo “puta merda”. Ela mordeu os lábios, olhou pra ele e fez cara de cachorro quando cai da mudança. Num pulo, Camila foi pegar o telefone.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:arial;"&gt;- Porra. Você vai atender?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:arial;"&gt;- Ai, amor. É a Leticia. Sabe que ela não tá bem.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:arial;"&gt;- Não o cacete. Eu quero que ela se foda. Ali&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:arial;"&gt;ás por falar em foda, aqui tá difícil dar uma, heim?&lt;/span&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:arial;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:arial;"&gt;- Ah, para. Vou ver o que ela quer. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:arial;"&gt;É rapidinho.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:arial;"&gt;Ele levantou e foi tomar um banho, porque sabia que não era nada rápido. E duas horas depois, enquanto ele ressonava, ela ainda estava ao telefone. Com a mão escorando a cabeça e disfarçando os bocejos já não falava nada diferente de um “aham” há pelo menos 40 minutos. Do outro lado Leticia só choramingava. Reclamava há dias do comportamento de Fábio. Distanciamento, agressividade, indiferença. De alguns dias para cá ele estava mudado. Achava tudo ruim. Alternava momentos de euforia com uma tristeza profunda e aparentemente sem motivo. Mas o que mais intrigava Camila não era ele e suas atitudes. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:arial;"&gt;Era a sua amiga.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:arial;"&gt;Leticia sempre se mostrou forte, independente e decidida. De uma arrogância impar, adorava punhetar a própria imagem. Gabava-se de sua personalidade forte, e que segundo ela “assustava os homens”. Perita em se vangloriar, esnobava a todos com seu enciclopédico conhecimento, conquistado com pesquisas no Google. Seu emprego sempre foi o melhor. Ela sempre era a mais bonita da festa. Seus conselhos, os mais acatados. Suas sugestões, as mais certas. Parecia entender sempre de todos os assuntos. Tinha-se a impressão de que discorria sobre novas técnicas de reprodução assistida do Surucuá da Cauda Vermelha com mais propriedade que o maior dos biólogos, mesmo sendo advogada. Mas também era arquiteta, designer, engenheira, decoradora, sommelier, barista e, segundo ela mesma, fazia o melhor molho bechamel de todo o mundo. “Aprendi a fazer em nossa viagem a Paris”, contava, pela enésima vez. E olhava pra ele, fazia uns gracejos e falava num irritante tatibitati.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:arial;"&gt;Era a maior especialista em orelhas de livros. Tornava-se perita nos clássicos da literatura, sem ter chegado nem à décima página. E fundamentava sua vidinha assim, ostentando uma aura de completa felicidade. Fábio não era muito diferente, também adorava valorizar o próprio passe. Era o casal perfeito e bem sucedido. E toda essa aparente perfeição chegava a ser chata. Mas fora isso, dava até pra se divertir com eles. No fundo, os dois eram relativamente bons amigos. Do seu jeito, mas eram.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:arial;"&gt;E agora, estava ela ai, completamente zureta. Sempre se preocupou em ter suas coisas, sua vida. E no momento em que Fábio cogita até uma separação, sua aparente estabilidade desmorona. E com isso lá se vai o sossego de Camila, e por consequência, de seu namorado. Leticia já não tinha mais horários próprios pra inconveniência. Ligava quase o dia todo para contar alguma coisa, desabafar ou se lamentar. Havia adquirido uma personalidade piegas. Materializava seu sofrimento em forma de versinhos cafonas, ou de pensamento enviados por e-mail ou mensagem no celular. Chegou a confessar que preferia morrer a  viver sem ele.  &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:arial;"&gt;Batia na porta dos amigos nos horários mais impróprios. Parecia até de propósito. Era só Camila pensar em sair, que ela aparecia. Juliano, seu namorado, ficava puto. E ficava em casa, fazendo sala pra amiga sem noção. Ele alertava, para que não tomasse partido&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:arial;"&gt;:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:arial;"&gt;- Vai que eles se acertam. Ela ainda vai brigar com a gente, por chamá-lo de vagabundo – dizia.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style=" ;font-family:arial;"&gt;- Mas ela é minha amiga. Preciso dar apoio.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:arial;"&gt;Letícia chegou ao fundo do poço. Não se depilava mais, vivia com o cabelo desgrenhado e cheirava a meia suja. Tirou férias só pra poder curtir sua fossa em casa sossegada. Camila e Juliano alternavam visitas pra ver se estava tudo bem, mas depois que ele a encontrou deitada no sofá, de calcinha bege, com o sutiã de alças frouxas e com o braço levantado e mostrando os cabelos do sovaco disse que nunca mais iria. E isso se arrastou por mais alguns dias.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:arial;"&gt;Na semana seguinte, Camila foi visitar a amiga. Deu de cara com a porta. Tocou a campainha de Leticia e ela não abriu. Preocupou-se. Ensaiou uma fungada no ar pra ver se não tinha cheiro de gás. Esmurrou a porta, chamou e nada. Ligava, mas o celular só dava fora de área, e lá dentro ninguém atendia. Quando já se preparava para chamar a polícia, pensando no pior, ouviu as risadas de sua amiga. E de Fábio. Do elevador saiam os dois, abraçados, com uma sacola de pão e o jornal. Tênis, bermudinha, camiseta. Tinham ido correr no parque e agora iam preparar o desjejum. Camila ficou atônita, mas já estava com tanta preguiça daquela situação toda, que se contentou em só achar bom. Sorriu, fingiu que estava tudo normal e nem sequer quis perguntar muita coisa. Apenas agradeceu o convite para o café e foi embora. Viu que novamente a paz reinava naquela casa de gente doida. Saiu dali o mais rápido possível.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:arial;"&gt;Uma semana depois, ligou para Letícia. Queria saber como estavam as coisas entre ela e Fábio. Foi surpreendida com um seco e lacônico “estão ótimas”. E como ela não retribuía a pergunta, Camila se pronunciou. Disse estar com alguns probleminhas com Juliano. Preocupações, desconfianças. Surpreendeu-se:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:arial;"&gt;- Hummm. Chato, né? – disse Letícia, sem muito interesse.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:arial;"&gt;- É. Acho que estou precisando conversar um pouco. Vamos sair?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:arial;"&gt;- Tá. Eu te ligo. Beijo. – e desligou, sem nem esperar muito.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:arial;"&gt;E claro, Letícia não ligou.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:arial;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:arial;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family:arial;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;!--EndFragment--&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5513232985402146187-5579545045251073053?l=omundodehenry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omundodehenry.blogspot.com/feeds/5579545045251073053/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omundodehenry.blogspot.com/2011/06/farsa.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5513232985402146187/posts/default/5579545045251073053'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5513232985402146187/posts/default/5579545045251073053'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omundodehenry.blogspot.com/2011/06/farsa.html' title='Farsa'/><author><name>Henry McIllan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01925446600729867047</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://1.bp.blogspot.com/_M14r8xTf4RE/SVaVDR3_d0I/AAAAAAAAACQ/eJQRJbgsPhw/S220/perfil.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-O3Tuqikkyd0/TfGtux_an2I/AAAAAAAAAIA/AmbVb6HkHdM/s72-c/pao-quente.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5513232985402146187.post-6461839447955116771</id><published>2010-08-18T07:54:00.001-07:00</published><updated>2010-08-20T06:40:41.277-07:00</updated><title type='text'>Teimosia</title><content type='html'>&lt;div  style="text-align: justify;font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_M14r8xTf4RE/TGv0RriiIiI/AAAAAAAAAHY/VtFbv_1HoNI/s1600/images.jpeg"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center; cursor: pointer; width: 224px; height: 224px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_M14r8xTf4RE/TGv0RriiIiI/AAAAAAAAAHY/VtFbv_1HoNI/s320/images.jpeg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5506763553973084706" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;Não acreditava que alguém tivesse coragem de ligar àquela hora da manhã. Tá certo. Já passava das 9h, e ela estava mais do que atrasada. Ainda cogitava se iria ou não trabalhar. O som irritante perturbava e não a deixava pensar numa boa desculpa para ligar para o trabalho. Ficou puta. Não tinha levantado nem para desligar o despertador, que ficava longe de propósito, só para fazê-la ir até lá e forçadamente desligá-lo. Mas naquele frio? De madrugada levantou para fazer xixi e ao sentar na tábua sentiu como se sua bunda fosse uma balsa lançada aos náufragos de algum navio explorador da Antártida. Só de pensar em pisar no chão frio seus pelos eriçavam. “Cacete”, pensou. “Vou lá atender logo essa merda”. Enrolou-se no edredon e foi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Alô. Falou, com uma voz meio sonolenta, meio irritada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você é foda. Fui dormir puto com você – despejou, sem nenhuma introdução ao assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não estava acreditando. Thiago, é você? Perguntou agora um pouco mais desperta por causa do susto. Tinham se visto na noite anterior, quando mais uma vez discutiram e não chegaram a lugar nenhum. Mesma coisa de sempre. Ela cobrava uma decisão, ele enrolava. Brigavam, trocavam um bom par de ofensas, e quando cansavam de bater boca, iam pro motel. Ele já preparava o rosto, sabia que levaria um belo tapa estalado e reclamações de que era um safado, um sem-vergonha, que só queria comê-la. Ele fingia um ar de ofensa. Simulava um “vamos embora agora”. Ela o mandava calar a boca, jogava-o na cama e obrigava-o a tirar logo a roupa. Já que estavam ali e teriam que pagar, que aproveitassem, ela resmungava. Era o sinal. E pronto. Duas, três horas de um bom exemplo de como se fazer sexo. Não eram de muitos malabarismos. Sem peripécias kama sútricas. Tinham suas três ou quatro posições favoritas e vez ou outra arriscavam algumas variações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fora uns gemidos e dois ou três palavrões, fodiam em um relativo silêncio, quase religioso. Como se qualquer palavra errada pudesse atrapalhar, ou afastar as outras sensações. O cheiro que exalava cada vez que ele metia com força. O suor, que se formava nas covinhas das costas dela. O hálito dele, com indícios de que tinha fumado novamente aqueles cigarros mentolados. Trepavam de olhos abertos. Ela adorava ficar olhando aquela cara de safado, a barba mal feita, a boca grande. Ele ficava doido com o sorriso dela. Amava cada expressão que saía de seus olhos. Trocavam de posição. Agora ele sentia o peso dela. Davam as mãos, entrelaçavam os dedos, e ela cavalgava com força. Jogava o cabelo pra trás, e ele juntava as pernas para melhor penetrá-la. Cansava, saía de cima e deitava. “Vai, me chupa”, ela pedia. Tinha saído com poucos caras, mas duvidava que alguém fizesse aquilo com a perícia dele. E justiça seja feita, era algo do qual ele se orgulhava. E na verdade, tinha um pouco de vaidade nisso. Adorava ouvir um “vou gozar” e acelerava as lambidas. Ela gritava e prendia a cabeça dele em suas pernas, que só paravam de tremer meia hora depois. Ficavam se olhando um pouco, descansavam, ficavam abraçados. Ela ia tomar banho. Ele ficava zapeando pelos canais pornô. Depois era a vez dele ir pro chuveiro. Vestiam-se. Ele a lembrava das duas vezes em que esquecera um dos brincos. Da última vez ligou pra ele de madrugada, e o fez voltar ao motel. Eram joias de família, lembranças da avó. Tinha dessas coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele a deixava em casa, mas antes de sair do carro brigavam mais um pouco. Juravam não mais se ver. Ela não ligaria mais e, se caísse em tentação, que ele não atendesse. Mas voltava atrás. Detestava ser ignorada. Que ele atendesse, mas não cedesse ao apelo por um novo encontro. Ele só olhava assustado. Amava aquela peste. Só não tinha coragem de admitir. Tinha uma predisposição a complicar as coisas, um talento especial. Associava amor a relacionamentos. Relacionamentos a cobranças. Cobranças a...sabe-se lá. Já fora noivo duas vezes. Escolhas ruins, ou pelo menos inapropriadas para o momento. Enfim, estava ele aí, sem muita disposição para arriscar novamente. E enquanto ela falava, ele olhava para suas mãos. Vermelho vivo nas unhas. Anéis e algumas pulseiras. Lembrou que devia estar cheio de arranhões nas costas. Arderia mais tarde. Sorriu. Aspirou fundo. O cheiro dela estava em todo no carro. Ele lembraria dias. O tempo suficiente para um novo encontro, coisa que ela garantia que não aconteceria. Pelo menos até o próximo telefonema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Puto comigo? E por quê? – perguntou, já sentando no chão, e esperando a história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Porra. Você falou que saiu com um cara. Que estão “se conhecendo”. Ah, vai tomar no cu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela riu do outro lado, e confirmou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É. E ele é um partidão. Mas quer saber? Acho que ainda prefiro você. A sua pegada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele vacilou. O silêncio momentâneo indicava a confusão que devia ter se formado em sua cabeça. Ensaiou um resmungo, mas mudou o tom:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quer ir tomar café? Passo aí em meia hora. Depois te levo pro serviço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hum. Não se preocupe. Hoje não vou. Já até liguei. Mas passe aqui sim. Vou tomar banho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ok. Beijo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desligou. Ela sorriu. Sabia que ele demoraria bem mais do que meia hora. Ia dormir mais cinco minutinhos. A cama estava tão quentinha. Ah, sim. Tinha que inventar uma boa história pra não ter que ir trabalhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5513232985402146187-6461839447955116771?l=omundodehenry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omundodehenry.blogspot.com/feeds/6461839447955116771/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omundodehenry.blogspot.com/2010/08/nao-acreditava-que-alguem-tivesse.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5513232985402146187/posts/default/6461839447955116771'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5513232985402146187/posts/default/6461839447955116771'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omundodehenry.blogspot.com/2010/08/nao-acreditava-que-alguem-tivesse.html' title='Teimosia'/><author><name>Henry McIllan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01925446600729867047</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://1.bp.blogspot.com/_M14r8xTf4RE/SVaVDR3_d0I/AAAAAAAAACQ/eJQRJbgsPhw/S220/perfil.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_M14r8xTf4RE/TGv0RriiIiI/AAAAAAAAAHY/VtFbv_1HoNI/s72-c/images.jpeg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5513232985402146187.post-7810345603974569341</id><published>2010-06-27T07:56:00.000-07:00</published><updated>2010-06-27T08:12:29.163-07:00</updated><title type='text'>Girando</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_M14r8xTf4RE/TCdnavSRiXI/AAAAAAAAAGA/vrCyWxGU4Mo/s1600/us-aid-to-pakistan-is-peanuts.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 213px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_M14r8xTf4RE/TCdnavSRiXI/AAAAAAAAAGA/vrCyWxGU4Mo/s320/us-aid-to-pakistan-is-peanuts.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5487468380041611634" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--StartFragment--&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style=""&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Levantou-se só pra poder dar um soco no despertador, que pela segunda vez começava a tocar de forma estridente. Achou-o do outro lado da cama, apertou o botão de desligar e voltou a dormir. Mais cinco minutinhos, pensou.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style=""&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Meia hora depois despertou de vez. Espreguiçou-se um pouco na cama, limpou um pouco de remela nos olhos, deu uma leve puxada na calcinha, que apesar de grande, teimava em se enfiar por entre aquelas duas bandas glúteas. Enfim, levantou. Foi saltitante at&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;é&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span lang="PT-BR" style=""&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt; a cortina e abriu num só movimento as duas partes.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style=""&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Sentiu vontade de fazer como nos filmes, ou nos comerciais de margarina. Abrir as janelas, respirar profundamente, contemplar o sol e dar bom dia aos passarinhos. Ficou com medo de parecer ridícula demais, até porque o dia estava escuro, nublado, com uma garoa fininha. Mas nada daquilo importava. Era uma nova mulher. Ou pelo menos ia tentar ao máximo se convencer disso.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style=""&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Apesar do baixo astral, e da pontinha de tristeza, estava quase se sentindo realizada. A última semana, de brigas intensas, discussões terríveis e cenas vergonhosas ajudaram a tomar enfim a decisão. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="line-height: 150%; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;O dia mais feliz de sua vida foi quando se deu conta de que para nada precisava dele. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span style="line-height: 150%; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Afinal, trabalhava duro. Tinha seu próprio dinheiro e pagava suas contas em dia. Atrasar e pagar juros deixavam-na em pânico. Era organizada, coisa que ele não fazia a mínima questão de ser. Passou a acompanhar as dicas de moda dos estilistas da TV. Encurtou em alguns bons centímetros todas as roupas. Novo corte de cabelo e nova linha de esmaltes pra escolher. Pela primeira vez, resolveu inovar na depilação, mesmo que ninguém fosse ver.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span style="line-height: 150%; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Tomou até coragem de usar os conselhos dados pela revista Nova. Queria sair pela noite, frenética e enlouquecendo os homens em 15 passos, e aprender a gozar com o chuveirinho. Redescobriu as velhas amizades do tempo da escola. Embora um pouco gordas e com jeito de biscate, se tornaram boas companhias para sair. Sentiu-se um pouco deslocada no começo, por perceber que nada mais tinham em comum. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Na sua volta ao cenário noturno, conquistou o cara mais gato da boate. E conseguiu impressioná-lo: vomitou três vezes em seu carro, antes que ele a deixasse sentada, sozinha, na sala de espera do pronto socorro. No outro dia, ainda não refeita da vergonha, leu o singelo bilhete que ele havia deixado, dentro do seu bolso: “você é doida. Vai pro inferno, peste”. Tava enjoada demais até pra entender se ele estaria brincando ou não.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span style="line-height: 150%; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Tudo isso durou pouco. Até bem menos do que ela imaginava. Com o passar dos dias, começou a sentir uma tristeza, que foi aumentando gradativamente, a medida em que o tempo esfriava. Cansou da rua, da farra. Do trabalho, ia direto pra casa. Enfiava-se num moletom velho, tascava no pé uma meia colorida de algodão, e devorava pacotes giga de amendoim japonês, com aquele sempre famigerado e depressivo brigadeiro de colher, o companheiro inseparavel da fossa e dor de cotovelo. Chorava rios de lágrimas assistindo qualquer coisa, desde a maratona com todos os filmes do Patrick Swayze na tv a cabo, até o programa do Amaury Junior. Seu telefone vivia desligado, pois já cansara de inventar desculpas para não sair com suas amigas, e muito menos com os caras que tinha conhecido no bingo. Só sentia vontade de ligar pra uma pessoa. Ensaiou isso várias vezes, mas da última vez em que se falaram, prometeram mutuamente que aquela seria pra valer: chega. E deixava os dias passarem, arrastando correntes pela casa.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span style="line-height: 150%; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;E ele? Bem. O dia mais feliz de sua vida foi quando se deu conta de que para nada precisava dela.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span style="line-height: 150%; "&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span style="line-height: 150%; "&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style=""&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: verdana;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;!--EndFragment--&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5513232985402146187-7810345603974569341?l=omundodehenry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omundodehenry.blogspot.com/feeds/7810345603974569341/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omundodehenry.blogspot.com/2010/06/girando.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5513232985402146187/posts/default/7810345603974569341'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5513232985402146187/posts/default/7810345603974569341'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omundodehenry.blogspot.com/2010/06/girando.html' title='Girando'/><author><name>Henry McIllan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01925446600729867047</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://1.bp.blogspot.com/_M14r8xTf4RE/SVaVDR3_d0I/AAAAAAAAACQ/eJQRJbgsPhw/S220/perfil.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_M14r8xTf4RE/TCdnavSRiXI/AAAAAAAAAGA/vrCyWxGU4Mo/s72-c/us-aid-to-pakistan-is-peanuts.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5513232985402146187.post-2886382989794384424</id><published>2010-05-28T20:53:00.000-07:00</published><updated>2010-05-28T21:02:55.744-07:00</updated><title type='text'>Intimidade</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_M14r8xTf4RE/TACRIYRTnPI/AAAAAAAAAF4/9228lXXwVrI/s1600/noivinhos+do+bolo.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 259px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_M14r8xTf4RE/TACRIYRTnPI/AAAAAAAAAF4/9228lXXwVrI/s320/noivinhos+do+bolo.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5476536720022543602" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--StartFragment--&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:11.6pt;line-height: 150%"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Procurava a cueca pelos cantos do quarto quando ela soltou essa: &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;- Semana que vem eu me caso - falou, deitada. Olhando pra cima e mexendo no piercing do umbigo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Ele nem se abalou. Continou a procurar o resto da roupa. Achou perto da porta do banheiro. Inspecionou a peça, procurando alguma coisa que pudesse ser estranha ou pegajosa. Vestiu, foi ao banheiro e fechou a porta. Não era a primeira vez que se viam pelados. Já estiveram várias vezes ali. Talvez até mesmo naquele quarto. Mas por mais intimidade que tivessem, ele ainda se recusava a fazer xixi na frente de outra pessoa. Ela achava frescura, mas já nem ligava mais. Deu descarga, e antes de abrir a porta perguntou lá de dentro, num tom mais alto: ah vai, é?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Num muxoxo, respondeu que sim. Ele riu e sentou-se na cama pra desvirar a camisa. Achou um buraquinho nela. Que merda. Minha camiseta da sorte, pensou. Por ele, o assunto já teria morrido lá atrás, mas ela insistiu. Reclamou um pouco. Disse que não sabia se era bem isso que queria. Ainda se achava muito nova, e todo aquele blá blá blá típico de quem procura uma justificativa para não se amarrar. Adoraria continuar aprontando, sendo livre. Saindo a hora que quisesse e sem ter que inventar desculpas esfarrapadas por chegar em casa com marcas na bunda a arranhões nas costas. No fundo, admitiu que estava mais conformada do que feliz. Mas não queria aborrecê-lo mais com esse assunto. De qualquer forma, ia aproveitar, porque depois não poderia mais. Achou o comentário estranho. Largou o cinto e perguntou: &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;- Não poderia exatamente o quê? E por quê?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Numa expressão de ironia, como se aquela fosse a mais cretina das perguntas, respondeu: oras, depois que casar não pode mais. Ele, ainda confuso, tentou argumentar: &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;- Peraí. Vocês já vivem juntos. Tem até um filho de cinco anos. Que história é essa?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Ela, então, encerrou qualquer tentativa de réplica: &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;- Sim, mas agora vou jurar fidelidade.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;E diante de um monte de gente.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Ficou meio sem ação. Um filme passou diante dele. Lembrou de todas as vezes em que estiveram juntos. Ela, sempre apressada. Quantas vezes fizeram sexo sem preliminares. Quantas outras ainda dentro do carro, ou mesmo em pé ali, na garagem do motel. Preferia sair com ele à tarde, logo depois de deixar o filho na escola. Ele também adorava tudo aquilo. Sempre preferiu as compromissadas. Noivas, casadas e por aí vai. Não pegavam no pé, não cobravam nada. Ela era perfeita para ele nesse quesito. E com o tempo foram até se tornando mais amigos. Incrivelmente, o tesão que sentiam um pelo outro, não diminuia, nem quando ela comentava sobre as cortinas novas, ou reclamava do preço do xarope infantil. Achava até graça na forma como ela compartihava isso com ele. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Olhou demoradamente pra ela que, de costas, dava pulinhos vestindo a calça. Só nessa hora percebeu que ela tinha engordado um pouco, mas continuava linda como sempre. Suspirou. Esperava realmente que ela não acreditasse muito nas próprias convicções. Ou que pelo menos abrisse uma exceção para ele, vez ou outra.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;line-height:150%"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;Sorriu pensando nisso. E voltou a procurar as meias.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;!--EndFragment--&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5513232985402146187-2886382989794384424?l=omundodehenry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omundodehenry.blogspot.com/feeds/2886382989794384424/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omundodehenry.blogspot.com/2010/05/procurava-cueca-pelos-cantos-do-quarto.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5513232985402146187/posts/default/2886382989794384424'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5513232985402146187/posts/default/2886382989794384424'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omundodehenry.blogspot.com/2010/05/procurava-cueca-pelos-cantos-do-quarto.html' title='Intimidade'/><author><name>Henry McIllan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01925446600729867047</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://1.bp.blogspot.com/_M14r8xTf4RE/SVaVDR3_d0I/AAAAAAAAACQ/eJQRJbgsPhw/S220/perfil.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_M14r8xTf4RE/TACRIYRTnPI/AAAAAAAAAF4/9228lXXwVrI/s72-c/noivinhos+do+bolo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5513232985402146187.post-1360617838357522459</id><published>2010-05-06T21:09:00.000-07:00</published><updated>2010-05-28T21:05:27.582-07:00</updated><title type='text'>Padaria</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_M14r8xTf4RE/S-OXriXFiHI/AAAAAAAAAFw/Y6s-5NPVtbI/s1600/quindim.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 242px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_M14r8xTf4RE/S-OXriXFiHI/AAAAAAAAAFw/Y6s-5NPVtbI/s320/quindim.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5468381146771720306" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;p style="text-align: justify;margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; font: normal normal normal 11px/normal Calibri; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Esperava aflita. Sentada, batia os joelhos de nervoso. O esmalte Roxo-Mocinha da linha Impala Adriane Galisteu já tinha sido todo comido, tamanha a sua gastura. Nesse intervalo de meia hora em que ele havia ligado, já tomara mais de três cafés. Comeu um pão de queijo e olhava de soslaio pra um quindim. Quando finalmente tomou coragem pra pedir o doce, ele chegou. A cara não era das melhores, e antes até do bom dia já reclamou do calor.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; font: normal normal normal 11px/normal 'Times New Roman'; min-height: 12px; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; font: normal normal normal 11px/normal Calibri; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Ela ignorou a rabugice, e deu-lhe um beijo estalado. Ele não deu importância. Aboletou-se na cadeira e pediu que ela também sentasse. Tenha modos, Martinha, ele disse, vendo que ela se sentava de qualquer jeito, mesmo de saia. Fez a festa da peãozada, que também tomava café por ali. Obedecendo, usou as mãos para tentar esconder a visão de sua calcinha amarelo vivo, que teimava em despontar por entre aquelas roliças coxas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; font: normal normal normal 11px/normal 'Times New Roman'; min-height: 12px; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; font: normal normal normal 11px/normal Calibri; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Na verdade, tanto fazia a calcinha aparecer ou não. Queria ouvir o que Augusto tinha a dizer. Seria finalmente o pedido? Desde o dia anterior, quando ele, com voz solene ligara dizendo ter algo de importante a falar, tinha calafrios só de imaginar que seria isso. Depois de sete anos, dez meses e vinte e três, quase vinte e quatro dias&lt;/span&gt;&lt;span style="font: 11.0px Times New Roman"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;,&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt; a fortuna sorria pra ela. Iria se casar. Com véu, grinalda e flores de laranjeira.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; font: normal normal normal 11px/normal 'Times New Roman'; min-height: 12px; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; font: normal normal normal 11px/normal Calibri; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Claro. Já não era mais virgem desde aquela noite chuvosa dentro do fusca de Augusto. Ele tinha sido sim o primeiro. Bem, primeiro, primeiro&lt;/span&gt;&lt;span style="font: 11.0px Times New Roman"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;...&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;teve o Serginho, o Lauro, o Pedroca. Mas foram só sarrinhos, mão no peitinho, dedinho maroto. Mas ali, enfiando, na real? Só o Augusto. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; font: normal normal normal 11px/normal 'Times New Roman'; min-height: 12px; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; font: normal normal normal 11px/normal Calibri; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Encerrou seus devaneios, e pediu que ele falasse logo. Brotoejas de excitação começavam a surgir entre as coxas. Só achava estranho o pedido ali, uma padaria? Mas claro. Augusto queria sondar o terreno. Nem faria o pedido oficial. Só queria ter certeza. Na certa&lt;/span&gt;&lt;span style="font: 11.0px Times New Roman"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;,&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt; seria discreto, fingiria, só pra saber. Diria que um amigo está pensando em pedir a noiva em casamento, mas tem dúvidas, medo dela não aceitar. Claro que aceito, oras. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; font: normal normal normal 11px/normal 'Times New Roman'; min-height: 12px; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; font: normal normal normal 11px/normal Calibri; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Nem teve tempo de imaginar o churrasco de noivado. Ela&lt;/span&gt;&lt;span style="font: 11.0px Times New Roman"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;,&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt; com seu vestido novo de viscolycra, ele, de bermuda cargo e mocassim de franjinha. Logo recebeu a pancada. Dura. Rápida. Seca. Acho que não dá mais. Quero terminar, disparou simplesmente.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; font: normal normal normal 11px/normal 'Times New Roman'; min-height: 12px; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; font: normal normal normal 11px/normal Calibri; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Fora de uma frieza glacial. Cruel. Inclemente, como um guerreiro mongol. Ela ficou zonza. Sentiu esgares de azia. Ânsia de vomito. Aturdida, só teve tempo de pensar. Ainda bem que não pedi o quindim. Odeio vomitar doce. Sua pressão caiu. Apoiou a cabeça na mesa.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; font: normal normal normal 11px/normal 'Times New Roman'; min-height: 12px; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; font: normal normal normal 11px/normal Calibri; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Já não o ouvia mais. Suas explicações do motivo ficaram ao vento. A menina nova que ele conhecera, a pouca idade, a falta de sintonia dos dois. Ela só pensava em parar de ver tudo rodando. E quando finalmente conseguiu, pediu uma água mineral. Bebeu o copo de um só gole. Respirou. Levantou os olhos. Puxou o ar. Olhou seriamente pra ele. Seus olhos grandes de personagem de mangá ficaram cerrados, tamanho o ódio.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; font: normal normal normal 11px/normal 'Times New Roman'; min-height: 12px; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; font: normal normal normal 11px/normal Calibri; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Pensou em um milhão de impropérios, afrontas e injúrias pra dirigir a ele. Toda a dedicação, amor e zelo que lhe dedicara. Mas lhe faltavam forças. Só teve fôlego para constatar o óbvio.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; font: normal normal normal 11px/normal 'Times New Roman'; min-height: 12px; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; font: normal normal normal 11px/normal Calibri; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;- Seu grande filho de uma puta. Tanto lugar para me dar um pé na bunda, tinha que ser nessa padaria horrorosa?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; font: normal normal normal 11px/normal 'Times New Roman'; min-height: 12px; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; font: normal normal normal 11px/normal Calibri; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Nesse momento, as xícaras pararam no ar. Um silêncio sepulcral só foi quebrado pelo ranger da cadeira de Martinha, que conseguiu se levantar. Girou nos calcanhares e saiu pisando duro. Foi ao balcão, pediu seis quindins pra viagem. Tirou umas notas amassadas da bolsa enquanto olhava para a atendente, pedindo cumplicidade. Voltou atrás. Guardou o dinheiro. Retornou à mesa, olhou mais uma vez para Augusto e lhe deu um retumbante e sonoro tapa. Um ui coletivo e abafado foi o que coroou o espetáculo. Antes de deixar a padaria, voltou ao balcão e disse com voz triunfante: ele paga. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="color: rgb(102, 102, 102);  font-family:Calibri;font-size:11px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5513232985402146187-1360617838357522459?l=omundodehenry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omundodehenry.blogspot.com/feeds/1360617838357522459/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omundodehenry.blogspot.com/2010/05/padaria.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5513232985402146187/posts/default/1360617838357522459'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5513232985402146187/posts/default/1360617838357522459'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omundodehenry.blogspot.com/2010/05/padaria.html' title='Padaria'/><author><name>Henry McIllan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01925446600729867047</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://1.bp.blogspot.com/_M14r8xTf4RE/SVaVDR3_d0I/AAAAAAAAACQ/eJQRJbgsPhw/S220/perfil.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_M14r8xTf4RE/S-OXriXFiHI/AAAAAAAAAFw/Y6s-5NPVtbI/s72-c/quindim.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5513232985402146187.post-898908116460506416</id><published>2009-12-09T19:30:00.000-08:00</published><updated>2009-12-09T19:39:36.634-08:00</updated><title type='text'>Amigas</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_M14r8xTf4RE/SyBtZtSQvVI/AAAAAAAAAFk/o1oIJ6flUVM/s1600-h/girl+fight.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 225px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_M14r8xTf4RE/SyBtZtSQvVI/AAAAAAAAAFk/o1oIJ6flUVM/s320/girl+fight.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5413447040519683410" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;!--StartFragment--&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;André e Juliana já estavam saindo há um mês. Conheceram-se numa tarde no boteco, quando foram apresentados por amigos em comum. Ele já estava bêbado, e ela com intenção de conseguir ficar também. Permaneceram ali até a noite. Um bom número de caipirinhas depois, ainda conseguiram trocar telefones. E começaram a se ver com frequência.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;Iam ao cinema, praia, teatro. Almoçavam juntos. Tecnicamente formavam um belo casal, mas mantinham um certa margem de segurança no relacionamento. Era uma espécie de acordo: não estavam namorando. Era uma situação aparentemente cômoda para os dois. Estavam simplesmente curtindo a companhia um do outro. Ela tinha acabado de sair de uma relação tumultuada. Ele, sempre muito ocupado, não conseguia parar com ninguém. Claro, fora o fato de que era assumidamente um galinha. Mas estavam se dando bem, conseguiam se divertir, tinham afinidades e o sexo era igualmente muito bom. Em teoria, estava tudo correndo naturalmente, apesar de não assumirem nada. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;Dias depois, Juliana terminava de se ver mais uma vez no espelho, quando o celular tocou. Era André, que tinha acabado de estacionar na frente de sua casa. Passou a mão mais uma vez pelo belo vestido preto, ajeitou o cabelo e saiu. Quando entrou no carro ele ainda estava sorrindo, meio abobado por aquela linda visão, e um pouco inebriado pelo perfume delicioso. Beijaram-se, trocaram alguns elogios e foram pro aniversário de Raquel.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;Chegaram no prédio da amiga de Juliana. Ele conhecia metade das amigas dela de vista, ou de ouvir falar. Entraram, cumprimentaram a aniversariante e foram beber alguma coisa. Aproximaram-se de um grupo pra conversar, e foi quando ele viu Beatriz. As duas se abraçaram. Descobriu depois que eram grandes amigas. Ela, mais velha tinha dado muito apoio a Juliana, quando terminou com o ultimo namorado. Era tratada como “mamãe” por ela.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;Tinha uma beleza normal, apesar de um corpo deliciosamente bem feito para seus trinta e seis anos e uma filha adolescente. Alta, pernas grossas, uma bundinha redonda e durinha. E peitão. Ah. Ele adorava um peitão. Podia passar horas apertando, amassando, chupando, lambendo, massageando, mordendo e todo tipo de perversão possível com um mamilo. Depois desse devaneio envolvendo peitos, voltou a realidade quando Juliana os apresentou. Uma hora de conversa e algumas doses de Jack Daniels depois, já eram grandes amigos. Tinham inclusive, trocado telefones. Sem que Juliana tivesse visto, claro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;Uma semana depois, enquanto chegava em casa de uma festa, exatamente as duas da manhã, André se assusta com o torpedo. “Ta fazendo o que de bom, heim?”. Era de Beatriz, que a essas alturas já era Bia pra ele. Apesar de achar estranho, gostou da mensagem, e respondeu. Ela estava numa comemoração com os amigos do trabalho e queria que ele fosse lá. Preferiu não se precipitar e decidiu ficar em casa. Passaram mais de uma hora assim e quando o último torpedo foi mandado, um possível encontro já estava marcado para o dia seguinte. E parecia que a fortuna sorria pra ele, ou Júpiter estava na terceira casa de Urano, ou qualquer merda dessas que significasse sorte, porque exatamente naquela semana, Juliana estava fora da cidade a trabalho. Caso fossem aprontar, o momento seria esse.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;Logo pela manhã, André mandou um torpedo pra Beatriz. Estranhamente, ela não respondeu. “Deve estar ocupada”, pensou. Mais tarde ligaria pra ela e combinariam. Estava um dia bonito, ensolarado. Trabalhou bem. Mas uma coisa ainda martelava sua cabeça: porque Beatriz, sendo grande amiga de Juliana, queria sair com ele? “Caralho! É uma cilada”, cogitou. Na certa as duas tinham combinado. Era um teste que fariam a ele. Mas queria provar o que exatamente? Que ele era fiel? Ora. Nunca tinham feito promessas um ao outro. E apesar de não terem discutido nada sobre isso, não poderiam ter cobranças. Sendo assim, se ela queria confirmar alguma coisa, estava traindo o “pacto” deles. Sentiu ainda mais vontade de consumar o ato. No fim das contas, ele estava conformado com sua condição de safado. Queria saber se elas poderiam bancar a posição que estavam tomando.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;Na saída do trabalho, ligou pra Beatriz. Ela atendeu com uma voz diferente do entusiasmo habitual. Ao mesmo tempo que achou estranho, parecia entender o que estava acontecendo. Mas queria ouvir dela.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;- Acho que não podemos sair – disse ela, sem rodeios.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;- Ah, é? Por que mesmo?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;- A Ju é minha amiga. E está gostando de você.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;Ah, merda. Por essa ele não esperava. Ou talvez esperasse, o que o assustou mais ainda. Apesar de seu jeito aparentemente desligado, era atencioso, gentil, cavalheiro. Bem o naipe que encantava alguns tipos de mulher. Não seria a primeira vez que uma eventual conquista se tornaria um pesadelo psicótico de perseguição em sua vida. Pensou que aquilo poderia ficar mais complicado do que imaginava. O fato de Juliana estar realmente gostando dele, já o deixava em pânico. Se ela descobrisse que ele o traiu com sua grande amiga, aí sim. Estaria fodido de verdade. Tinha pavor daquelas histórias de mulheres vingativas que jogam óleo fervente nos maridos enquanto eles dormem, ou cortam seus pintos num acesso de raiva. Só que agora queria pagar pra ver, de qualquer jeito.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;- Bem, não posso te obrigar – ele falou, com uma calma irritante.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;- Como não? Respondeu, parecendo decepcionada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;- Eu entendo. São amigas. Não quero estragar nada disso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;Pelo momento de silêncio que ela fez ao telefone, ele sentiu que não era essa a resposta que ela queria ouvir. Talvez desejasse insistência, um pedido mais convincente. Queria ser convencida, persuadida. Mas ele jamais faria isso. Conversaram mais um pouco, até que o tom de preocupação e remorso dela pareciam desaparecer. Disse que estava confusa, e que ia sair um pouco, pra tentar organizar a cabeça. André ouviu pacientemente e falou que caso ela mudasse de ideia, ou quisesse conversar, poderia ligar pra ele. E alguma coisa lhe dizia que ela faria isso. Não estava nem um pouco preocupado em pensar o motivo pelo qual ela trairia a confiança de sua amiga. Estaria tão interessada nele, a ponto de arriscar sua amizade? “Foda-se”, pensou. Se ela fosse tão ardilosa assim, Juliana nunca saberia de nada. Se soubesse, foi porque ela contou, e aí, quem arcaria com a responsabilidade não seria ele. Na sua lógica as avessas, a traição partiria dela. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;Resolveu aproveitar o fim da tarde pra tomar uma cerveja com uns amigos. Jogava conversa fora e ria bastante, quando sentiu o celular vibrar no bolso. Era Beatriz, querendo saber onde ele estava. Depois que ela confirmou saber onde ficava o local, desligaram. Meia hora depois ele olhava do outro lado da rua, enquanto ela descia do carro. Vestidinho verde e leve, sandálias, poucos acessórios. O cabelo ainda estava meio molhado. Adorou essa produção com cara de “não-estou-nem-aí-mas-é-mentira”. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;Ele se levantou e a beijou no rosto. Apresentou-a para as outras pessoas na mesa e perguntou se ela queria alguma coisa. Recusou. Estava um pouco nervosa, aflita. Mas sorria e conversava normalmente. Somente os dois percebiam a grande tensão que pairava no ar. Mais uma hora e as pessoas começaram a se despedir. Pediram a conta, pagaram, e cada um foi para seu carro. Exceto ele, que deu a chave para um amigo que estava de carona. Iria no carro com ela.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;Não conseguiram nem chegar ao motel. Uma rua escura e deserta foi onde pararam o carro e treparam alucinadamente. Apesar de apertado, para eles não poderia ter lugar melhor. Tornou a situação ainda mais clandestina e perigosa. Conversaram mais um pouco, sem nem sequer tocar no nome de Juliana. Mais sexo, dessa vez com calma, aproveitando melhor. Vestiram-se. Ela o deixou em casa e foi embora. Esperou o carro virar a esquina e sorriu. Tirou a chave do bolso e pensou que quando a culpa batesse na porta dela, seria com força. Talvez tentasse ligar pra ela no dia seguinte, mas sabia que ela não atenderia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;!--EndFragment--&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5513232985402146187-898908116460506416?l=omundodehenry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omundodehenry.blogspot.com/feeds/898908116460506416/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omundodehenry.blogspot.com/2009/12/amigas.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5513232985402146187/posts/default/898908116460506416'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5513232985402146187/posts/default/898908116460506416'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omundodehenry.blogspot.com/2009/12/amigas.html' title='Amigas'/><author><name>Henry McIllan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01925446600729867047</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://1.bp.blogspot.com/_M14r8xTf4RE/SVaVDR3_d0I/AAAAAAAAACQ/eJQRJbgsPhw/S220/perfil.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_M14r8xTf4RE/SyBtZtSQvVI/AAAAAAAAAFk/o1oIJ6flUVM/s72-c/girl+fight.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5513232985402146187.post-6568713995655601031</id><published>2009-11-22T22:18:00.000-08:00</published><updated>2009-11-23T11:12:34.977-08:00</updated><title type='text'>Cinema</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_M14r8xTf4RE/SwoqDUKIwdI/AAAAAAAAAFY/ha6rzvA3h9U/s1600/600x400_gallery_SC_Movie_Theater_1.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 214px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_M14r8xTf4RE/SwoqDUKIwdI/AAAAAAAAAFY/ha6rzvA3h9U/s320/600x400_gallery_SC_Movie_Theater_1.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5407180539050901970" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;!--StartFragment--&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;Regina era sim uma mulher única. Desde cedo aprendera a cozinhar, e o fazia magistralmente. Da mais simples farofa de ovos, até arriscava um prato mais elaborado sem passar vergonha. Também costurava, bordava, pintava em porcelana e outros afazeres de cunho doméstico. Cuidava da casa e dos filhos com uma dedicação quase religiosa. E era devotada a seu marido. Aliás, talvez respeitasse mais o compromisso do casamento do que aquele homem.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;Se não era a mais bonita das mulheres, tampouco era a mais horrenda. Tinha uma beleza comum, discreta, apagada até. Era daquelas que não tinham muitos atrativos que a fizessem se destacar. Peitos pequenos, pouca bunda, pernas finas. Da adolescência sobraram algumas marcas provocadas pela acne. Mas apesar dessa pouca graça, possuía dois grandes olhos verdes, que faiscavam quando estava feliz. O que raramente acontecia. Há muito tinha largando seus sonhos para ser a dona de casa ideal. Ele provinha o sustento, ela cuidava do resto. Nem se lembrava a ultima vez que ele a tocara com desejo. E se pensasse bem, talvez ele nunca o tenha feito. Eventualmente uma trepada burocrática era o máximo de carinho que ele dedicava a ela. Sempre fazendo questão de desmerecê-la.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;Era um escroque. Um crápula. Tratava mulher e filhos como se fossem lixo. &lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt; &lt;/span&gt;Sempre aos berros e safanões. Não era capaz do mais ínfimo gesto de ternura e respeito. Chegava quase todas as noites bêbado, fedendo a perfume doce e gritando. E madrugada afora, lá ia Regina esquentar alguma coisa para aquele animal comer. Mal terminava de raspar o prato, reclamava da comida, proferia algumas ofensas a sua esposa e se dirigia para o quarto. Cinco minutos depois já estava roncando, sem nem mesmo ter tirado a roupa. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;Tanta resignação dela era vista com espanto pelo resto da família, pela vizinhança, pelos filhos. Ninguém compreendia como aquela mulher, sendo tão virtuosa, conseguia suportar tanta humilhação. Não tinha uma alegria, um momento de paz naquela casa. A única coisa que a afastava daqueles momentos de amargura, eram suas idas ao cinema, toda a semana. Aproveitava que Célio estava no trabalho e os filhos na escola e ia, tranquilamente assistir as sessões da tarde. Fazia isso duas, ou três vezes na semana. Voltava plácida, serena, descansada. Era&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;como se todo o peso do mundo ficasse na sala de projeção. Se era possível ser feliz por apenas alguns instantes, ela assim conseguia.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;Certa noite ao chegar em casa, mais uma vez completamente embriagado, já foi aterrorizando. Acordou mulher, filhos, e provavelmente todo o bairro. Gritava como um louco. Exigiu comida. E lá foi Regina, com os olhos ainda meio grudados de sono para a cozinha. No meio do trajeto foi surpreendida por Célio, que como um possesso a agarrou. Estava transtornado. Tentava a todo custo beijá-la. Enquanto ela tentava se desvencilhar, teve sua roupa rasgada. Mesmo nua, e sendo lambida, mordida e apalpada por aquela figura repugnante, mantinha uma aparência de frieza e calma, que só era quebrada por duas ou três lagrimas que rolavam do seus olhos. Quase meia hora depois, ele estava saciado. Enquanto se levantava e ia para o banheiro, ela permanecia ali deitada no chão da sala. Coberta daquela saliva nojenta, remontou mentalmente toda a tortura, e quando se levantou, percebeu um arroio pegajoso de esperma que escorria pelas suas pernas. Sentiu tanto asco que se pudesse, teria arrancado a própria pele. Procurou se recompor, limpou-se um pouco com os farrapos de sua calcinha, e foi para a cozinha, esquentar o macarrão para Célio. Naquela noite, ela não dormiu.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;No outro dia, ele acordou como se nada tivesse acontecido. A tratou com a mesma indiferença&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;de sempre. Ela de costas e com as mãos apoiadas na pia, nem sequer se virou pra olhar enquanto ele saia para o trabalho. Permaneceu ali por alguns minutos e finalmente desabou em lágrimas. Já pela tarde, as crianças chegaram da escola. Deu comida a eles, e quando estava saindo para seu habitual cinema, recebeu a ligação: Célio havia sofrido um acidente. Transtornada, pegou o endereço do hospital e saiu desarvorada atrás de um táxi. Não sabia o que lhe dava mais remorso, se era a preocupação tamanha por alguém que nenhum valor lhe dava, ou se a culpa por esse pensamento hesitante. Ao chegar, ele já estava sendo operado. Um ônibus o arrastara alguns metros. Sobreviveria, mas depois dos pinos e implantes, no mínimo uns seis meses ate voltar a andar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;E varias cirurgias depois, foram pra casa. Ele, de talas e gesso, com braços e pernas imobilizadas precisava de ajuda até para beber água. Regina, como sempre, solicita. Mas de nada adiantava. Pra proporcionar mais conforto a ele, arrumou um colchão do lado da cama, e ali se instalava toda noite, acordando a qualquer hora, pra trazer água ou dar os remédios. A dor e a impotência da situação só serviram pra deixá-lo ainda mais agressivo. Gritava, praguejava e a ofendia com insultos cada vez piores. Dizia sentir saudades das putas, e que assim que pudesse se levantar, ligaria pra alguma delas, e a mandaria ir ate sua casa, e ainda trepariam ali naquela cama. E gargalhava impiedosamente. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;Ao ouvir isso, algo aconteceu. No escuro do quarto era difícil enxergar a mudança daquela expressão sofrida e cansada, para uma feição mais dura. Alguma chave em Regina tinha sido ligada. Um raio a atingiu dos pés até a cabeça. Mesmo tardiamente, a ficha tinha caído. Seus olhos ardiam de raiva. Foi possuída por uma sensação inédita. Ergueu-se do colchão, e com voz ameaçadora disse: “boa idéia”. E antes que ele pudesse retrucar, saiu batendo a porta, o deixando com um ar abestalhado. Mais uma noite, ela passou em claro. E ali, esperando o sol nascer, começava a dar as boas vindas a uma nova pessoa dentro dela.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;Ao amanhecer, Célio gritava de dor e fome. E apenas algumas horas depois Regina apareceu no quarto, cheia de sacolas. Tão compenetrada estava, que ignorou totalmente as reclamações dele. Foi abrindo pacotes e embrulhos. Tinha saído bem cedo e comprado roupas, maquiagem, perfume. Abriu uma caixinha com dois lindos brincos e sorriu. Sob uma enxurrada de palavrões, foi para o banheiro, de onde saiu duas horas depois. Parecia outra pessoa. Cheirosa, com os cabelos molhados. Tinha um frescor na pele que há anos não se percebia. A essas alturas Célio estava totalmente sem forças até para reclamar, e sentiu um nó na garganta quando a viu deixar a toalha cair, e pegar seu vestido novo. Arrumou-se, vestiu uma calcinha de tamanho mínimo, colocou os brincos, sandálias altas e borrifou um pouco do perfume. Nem sequer olhou para trás. Bateu a porta, e deixou ali um desfalecido e fraco Célio. Ao sair de casa, trancou o portão, e continuou. Estava aliviada por sair dali. Começou então a repassar mentalmente seu plano. As crianças ficariam na casa dos avós até o final da semana. Estava pronta.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;Pegou um táxi, e se dirigiu ao cinema. Mas naquela tarde, não foi atrás de nenhum grande filme em cartaz. E achou logo o que procurava. Na terceira fileira estava ele. Alto, forte, com ombros largos. Tinha uma aparência meio bruta, com aquela barba e o cabelo desgrenhado. De camiseta regata e chinelo, parecia mais um caminhoneiro. Ria alto das besteiras que apareciam no telão. Regina então decidiu que seria ele, e não se fez de rogada. Caminhou decidida ate aquelas cadeiras, e pedindo licença sentou-se ao seu lado. Alguns sorrisos e gracejos depois já estavam se beijando freneticamente. Ele sussurrava besteiras em seu ouvido. De repente, o convite:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;- Vamos terminar isso lá em casa. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;Ele, apesar de surpreso, topou na hora. Pouco se falaram no trajeto. Ele a alisava por baixo do vestido. E ela tremia, suava frio. Chegaram, pagaram o táxi e ela abriu o portão. Quando entraram, já estava se despindo e se beijando. Ela, com dificuldade pediu pra que esperasse, pois precisava mostrar uma coisa. Mal falou isso ouviu Célio gritando de dor e desespero. O rapaz, se assustou, e antes que fosse embora, Regina o segurou fortemente pela mão e lançou um olhar que o petrificou:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;- Você não vai embora daqui até me dar tudo o que eu quero. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;Falou isso determinada, enquanto abria os botões de seu vestido. Ele, ainda hesitante, concordou com a cabeça. Entraram no quarto. Célio arregalou os olhos ao ver sua esposa com aquele estranho. Antes que ele pudesse dizer uma só palavra, Regina o silenciou com um gesto. A única pessoa que não estava confusa e chocada ali era ela. Enquanto fechava a porta, olhou para o rapaz, e disse que explicaria tudo com mais calma, mas só depois.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;!--EndFragment--&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5513232985402146187-6568713995655601031?l=omundodehenry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omundodehenry.blogspot.com/feeds/6568713995655601031/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omundodehenry.blogspot.com/2009/11/cinema.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5513232985402146187/posts/default/6568713995655601031'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5513232985402146187/posts/default/6568713995655601031'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omundodehenry.blogspot.com/2009/11/cinema.html' title='Cinema'/><author><name>Henry McIllan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01925446600729867047</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://1.bp.blogspot.com/_M14r8xTf4RE/SVaVDR3_d0I/AAAAAAAAACQ/eJQRJbgsPhw/S220/perfil.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_M14r8xTf4RE/SwoqDUKIwdI/AAAAAAAAAFY/ha6rzvA3h9U/s72-c/600x400_gallery_SC_Movie_Theater_1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5513232985402146187.post-2982707852173909749</id><published>2009-08-26T10:43:00.000-07:00</published><updated>2009-08-26T10:50:03.500-07:00</updated><title type='text'>Entre livros</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_M14r8xTf4RE/SpV1xJs7UmI/AAAAAAAAAFQ/pXTd4SGL5jM/s1600-h/Panela_IKEA.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5374331217614951010" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 250px; CURSOR: hand; HEIGHT: 250px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_M14r8xTf4RE/SpV1xJs7UmI/AAAAAAAAAFQ/pXTd4SGL5jM/s320/Panela_IKEA.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Lúcia considerava-se uma privilegiada. Cresceu assim, cercada de livros, de todos os tipos, gêneros e estilos. Desde criança fora estimulada por seus pais, que eram professores, a ler. Por conseqüência, escrevia muito também. Textos, contos, poesias. Tudo a inspirava. Tinha como grande aspiração publicar seu próprio livro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Formou-se em Letras. Estava tentando um Mestrado em Estudos Literários. Mas, sempre ávida por palavras impressas, achava que ainda não estava satisfeita. Apesar de talentosa e bem sucedida, faltava-lhe algo. Como não sabia muito bem o que seria, conjecturou: já vivenciava tanto os livros e suas histórias. Queria fazer parte de uma delas. Constatou uma certa infelicidade em sua vida. Nunca teve uma grande experiência. Quando criança, quase não brincava na rua. Teve um ou dois namoradinhos. Não ia a festas. Só se sentia um pouco melhor ladeada pelas pilhas de livros de casa, ou da biblioteca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha um especial carinho pelos romances, mas sua verve dramática falava mais alto. Queria ser a personagem de uma grande tragédia, talvez. Algo com muita dor, intriga, ciúmes, ódio. Felipe, seu noivo, estranhava, mas também achava graça. Como uma pessoa pode gostar mais da tristeza que da felicidade? “Sou assim”, ela dizia. “A melancolia e a dor me motivam muito mais do que a alegria”. Ele, bom rapaz, apenas sorria. Pensava de outra forma. Sujeito simples, sem grandes ambições. Sempre tentava apreciar o lado bom das coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais algum tempo de noivado, e finalmente se casaram. Felipe, que entre suas qualidades era extremamente esforçado e trabalhador, conseguiu uma promoção. Seu primeiro pensamento foi pra Lúcia, e como poderia tratá-la melhor com o aumento de seu salário. Sabia que trabalharia mais, teria um cargo de confiança. E ao mesmo tempo que temia a grande responsabilidade, contentava-se em imaginar os mimos com que presentearia sua esposa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estranhamente, ela não recebeu muito bem a notícia. Logo associou o aumento da carga horária, com as horas a mais que ele passaria fora de casa. As noites permeadas por serões intermináveis, que, na sua lógica distorcida, seriam apenas pretextos para as farras com os colegas do trabalho, ou traições com alguma vagabunda. Felipe riu, e tentou tranqüilizá-la. Nunca fora mesmo de safadezas, nem intentava isso. Era um eterno apaixonado por Lúcia, e se pensava em trabalhar mais, era ela que o impulsionava a isso. Não adiantou. Mais meia hora em que discutiram, resultou numa porta sendo batida com força, uns bons palavrões e o semblante desolado de Felipe, que teria que se instalar no sofá para passar a noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pela manhã, mal se falaram. As costas dele doíam. A cara dela estava inchada. Ele ainda tentou entender o que estava acontecendo. Porque ela não podia simplesmente se alegrar com sua promoção? Qual a grande dificuldade em enxergar o lado bom das coisas? Tomou seu café em silêncio. Pegou sua pasta e ainda tentou beijá-la. Lúcia resmungou, e se esquivou. Felipe saiu, com suas costas arqueadas, não apenas por causa do sofá, mas pelo desânimo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E os dias seguiram assim. Ele, cada vez mais triste pela indiferença dela. E ela, cada vez mais obcecada em descobrir alguma coisa. Era só Felipe sair de casa, que começava o ritual. Vasculhava gavetas, remexia em bolsos, cheirava camisas. Sempre em busca de alguma pista ou evidência. E nem a noite, quando ele chegava, isso tinha fim. O banho era hora de fuçar seu celular, e abrir sua carteira, em busca de bilhetes ou mensagens que provassem uma traição. Sabia que nos livros era assim. Deveria ser também na vida real.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A grande ironia é que no fundo, Lúcia sabia que Felipe era mesmo incapaz de lhe trair. Mas seu desejo em viver uma história dramática era tão intenso, que não se dava conta, ou não se importava com a amargura de seu marido. Nunca parou pra perceber a reforma que ele havia feito na casa. Jamais agradeceu o sem número de flores e chocolates que ele lhe trazia quase todos os dias. Os prospectos de agências de turismo, com a intenção de uma viagem a dois. Já não o beijava. Nem sequer o abraçava. E nunca encontrava qualquer sinal de sua traição. E de certa forma, ao invés de tranqüilizar-se, ela se enraivecia. Sentia vontade até de chamá-lo de frouxo, covarde. De fazer algo que o estimulasse a traí-la de verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim o fez certa noite. Esperou que chegasse do trabalho, e, sem mesmo deixar que colocasse sua pasta no chão, já o foi bombardeando com insultos e injúrias que o deixaram zonzo. O humilhou de tal forma que nem a maior das megeras jamais o teria feito. Ao passo que o sangue dela fervia, o dele descia até os pés, deixando-o branco, lívido, gelado. E enquanto os impropérios de Lúcia continuavam, algo começava a acontecer com ele. Esperou pacientemente ela terminar, e quando finalmente Lúcia caiu exausta no sofá, ele se virou e subiu as escadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O barulho da porta se fechando foi precedido de um longo intervalo de silêncio. Lúcia esperava que alguma coisa acontecesse depois disso. Quem sabe ele não sairia arrumado, de banho tomado, pronto para ir a algum puteiro? Voltaria para casa fedendo a perfume enjoativo e ordinário, tropeçando de tão embriagado. Ela reclamaria, eles brigariam. Ofensas, tapas e todos os tipos de agressões poderiam acontecer. Quem sabe Felipe não tivesse até uma arma e a ameaçasse? Esses pensamentos a excitavam, e ela chegou a estremecer. Sorriu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Decidiu ver o que ele estava fazendo. Em silêncio foi subindo degrau por degrau, mas parecia tudo quieto demais. Será que o encontraria enforcado? Ou talvez com os pulsos cortados, com uma expressão de dor, vendo o sangue minar de seu braço e manchar o chão. Estava mais preocupada com o contexto narrativo, do que com a integridade física de seu marido. Mas nem tinha tempo para pensar em sua própria canalhice. Era como em seus livros: o desfecho estava por vir. Seu coração disparava. A boca seca. Nunca tinha experimentado aquela sensação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Decepcionou-se profundamente ao abrir a porta, e se deparar com um Felipe deitado, em sono profundo. O ronco vigoroso denunciava que permanecia com vida. Tamanha frustração fez Lúcia cair de joelhos. Nem o estrondo de seu corpo no chão foi capaz de acordá-lo. Muito menos o choro compulsivo de raiva, ao ver seu marido ali, com o semblante tranqüilo, como se sua placidez fosse uma zombaria. Aquilo a encheu de uma cólera gigantesca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levantou-se e enxugou os olhos. Saiu do quarto e desceu as escadas calmamente. Mas alguma coisa em seu olhar ainda parecia transtornado. Passou pela sala, e viu seu rosto refletido em uma janela. Desviou o olhar, como se tivesse enxergado algo assustador. Foi até a cozinha, pegou uma panela, encheu de água e a colocou para ferver. Ainda naquela noite teria sua grande história trágica.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5513232985402146187-2982707852173909749?l=omundodehenry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omundodehenry.blogspot.com/feeds/2982707852173909749/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omundodehenry.blogspot.com/2009/08/entre-livros.html#comment-form' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5513232985402146187/posts/default/2982707852173909749'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5513232985402146187/posts/default/2982707852173909749'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omundodehenry.blogspot.com/2009/08/entre-livros.html' title='Entre livros'/><author><name>Henry McIllan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01925446600729867047</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://1.bp.blogspot.com/_M14r8xTf4RE/SVaVDR3_d0I/AAAAAAAAACQ/eJQRJbgsPhw/S220/perfil.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_M14r8xTf4RE/SpV1xJs7UmI/AAAAAAAAAFQ/pXTd4SGL5jM/s72-c/Panela_IKEA.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5513232985402146187.post-6181310033662496487</id><published>2009-08-17T08:01:00.000-07:00</published><updated>2009-08-17T08:06:37.481-07:00</updated><title type='text'>Pudim</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_M14r8xTf4RE/Solx5UcBPEI/AAAAAAAAAFI/HFT-CUK6a5Q/s1600-h/Toy-Poodle-For-Sale.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5370949260168739906" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 313px; CURSOR: hand; HEIGHT: 319px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_M14r8xTf4RE/Solx5UcBPEI/AAAAAAAAAFI/HFT-CUK6a5Q/s320/Toy-Poodle-For-Sale.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;É. Lá estava eu dentro do carro há meia hora. Tentando criar coragem pra entrar na casa da Andressa. Normalmente já era um suplício fazer isso. Claro. Confesso que simpatia e cordialidade nunca foram muito meu forte. Sou um anti-social por natureza. Tenho um pouco de “gastura” dessas coisas de ficar sorrindo, inventando assunto, fingindo interesse quando falam de futebol ou quando elogiam o chato do Marcelo Camelo e seu novo cd. Mas o grande problema é que era difícil, por “default” encarar o povo da casa dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pai, que alterna momentos de alegria e euforia ao me ver, solta comentários do tipo: “aquele chato que não bebe ta aqui? Ele não tem casa, não?”. A mãe vive trocando meu nome (é, pelo dos outros namorados que a filha já teve. Gostaria de conhecer o tal Eduardo. Ele parece mesmo ser brilhante). As irmãs, Carla e Milena. Hummm. Deixarei para um capítulo a parte. Hoje meu lado rodrigueano de tara por cunhadas foi suprimido pelo clima natalino-trash-apocaliptico que já se anunciava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Absorto em meu sofrimento, nem percebi o adocicado cheiro que tomava o ar dentro do carro. Maravilha. Alguns buracos e lombadas tinham transformado o banco do carona numa travessa para o pudim que minha mãe carinhosamente fez, para que eu não chegasse de “mãos abanando” na ceia natalina. Tudo bem. Era só colocar de volta no pirex. Ninguém perceberia que ficou meio desmontado, um pouco torto pra esquerda. Mas o problema nem era esse. “Merda”, pensei. Minha irmã tinha pego o carro pra levar o poodle da minha sobrinha pra tosar. Pêlos de cachorro em suspensão no ar. Isso explica os espirros que dei no trajeto todo. Preciso lembrar: não comer o pudim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, vamos lá. Enfrentar meus algozes e obter a purificação espiritual. Aperto a campainha. O “já vai” em voz levemente embriagada já me remete ao que terei de enfrentar até o momento em que o peru Sadia será cortado, e as bocas se calarão pra melhor mastigá-lo. O pai de Andressa nem sequer disfarça o quanto está contrariado/chateado/decepcionado e/ou outras sensações que tenham passado em sua mente ao me ver. Decerto (adoro esse termo) esperava o entregador da distribuidora de bebidas com mais uma grade de cerveja. Com um grunhido e um gesto me mandou entrar. Ainda tive a decência de dizer, entredentes, um “feliz Natal”, mas fiquei no vácuo. “Comerás meu pudim de pêlos, maldito”, pensei, numa espécie de vingança besta antecipada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui até a cozinha cumprimentar as outras pessoas. Mãe, tios, tias, avós, cunhados, sobrinhos. Aff. Era muita gente. Não sobraria lugar pra mim à mesa. Andressa estava terminando de enfeitar uma travessa de arroz. Estava bonita (ela, não a travessa. Odeio arroz coloridinho). Estava com um lindo vestidinho estampado e as unhas num vermelho vivo que ela pouco usava, mesmo quando eu dizia que achava bonito. Deixei o pudim torto na mesa, lhe dei um beijo e cumprimentei sua mãe. Ela me ofereceu rabanadas. Fiz uma cara meio estranha. Eu odeio rabanada, e acho que ela percebeu. “Ah, é. Quem gostava era o Murilo”. Gentilmente recusei com um sorriso nos lábios e um desejo de “enfia o pão, os ovos, o açúcar e a canela no cu do Murilo”. Fui até a varanda, falar com o resto da família. Começa então minha descida ao inferno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A visão é aterradora. As crianças gritando, brigando, chorando. As mães reclamando da bagunça. Os cunhados bebendo e enchendo meu saco, querendo que eu pegue um copo e beba com eles. A parte boa é que pelo menos não tinha (ainda) a Simone tocando o “então é Natal, e o que você fez?”. Mas, como diria um conhecido que “miséria pouca é bobagem”, o que seria um peido, pra que já cagado estava?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para minha sorte (?), a mãe de Andressa disse que logo a ceia seria servida. Mas até lá, ainda me aguardava muita dor e sofrimento. E eu já sabia o que isso significaria: os presentes. Primeiro, o amigo X. Depois, a vinda de Papai Noel. Todo ano a mesma coisa. Fizemos o sorteio dos nomes, e o amigo X transcorreu sem maiores complicações. Tirei uma das crianças, dei um presente que ela não entendeu o que era e jogou num canto. Acho que era uma espécie de joguinho de montar. Ganhei um par de meias de um dos maridos da irmã de Andressa. Acho que ele ficou mais surpreso do que eu ao ver o que era o presente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, todos deram e receberam os mimos. Isso era o sinal de que a vinda de Papai Noel já era um fato. Olhei em volta, e tentei reparar quem estava faltando. Lógico, o eleito para vestir aquela surrada e embolorada roupa do bom velhinho. Esse ano, graças a protuberante barriga, conquistada pelo chopp e miúdos de frango do boteco do Pelado, o velho Noel seria magistralmente interpretado por Lalico, o marido de Carla. Acho que ia ser divertido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto conversava e passava a mão nas coxas de Andressa, que estava confortavelmente sentada em meu colo, começo a ouvir um “ho, ho, ho” meio descadenciado, ofegante e com um tom embriagado. Lalico já começava a sua performance, para desespero das crianças. Os mais novos choravam, se escondiam e se desesperavam. As mais velhas faziam um ar de ceticismo e esgares de “eu sei que Papai Noel é apenas uma lenda criada pelo imperialismo norte-americano que tem como pretensão impulsionar o consumismo desenfreado”. Ok. Tenho que concordar. A visão era dantesca, desesperadora, caótica. Parecia aqueles papais noéis de filme de sessão da tarde. Bêbado, barba torta, cambaleante. Tragicômico. Um Papai Noel com cofrinho aparecendo, de tênis e um puta bafo de cana. Caralho. Definitivamente o Natal me entristecia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabada a pantomima, papéis de embrulho pelo chão, crianças martelando pianinhos de brinquedo e soprando cornetinhas irritantes, fomos comer. “Ótimo”, imaginei. “Como um pouco, faço uma hora, dou uns amassos na Dê e vazo pra casa”. Só umas lascas de peru me separam da liberdade. Uma oração é puxada pelas avós. Tento fechar os olhos, mas é engraçado ver as expressões de desespero nas caras famintas. O “amém” vem em uníssono, como um suspiro de alívio. Barulho de talheres e louça. Um pimpolho já começa quebrando um copo e começa a chorar. Toma esporro, chora mais ainda. A mãe manda parar de chorar e a situação piora. O pai só ri. E eu sofro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ansioso, estendo meu prato. Peço que dona Yolanda coloque pouco, mas acho que ela me ignora totalmente. “Não. Você está muito magrinho. Precisa comer. O Rafael gostava de prato cheio”. Velha senil. Não sei se ela não gosta de mim ou se é apenas sem noção. Gostaria de perguntar se na época em que ela nasceu já era feito o teste do pezinho, mas não ia me aborrecer mais. Nota: eu sei que o Rafael gostava de comer. Dá pra reparar nos 160 kilos que ele ostenta hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Termino de comer rapidamente, faço dois ou três elogios do tempero e fico ali, observando enquanto Andressa começa a servir as sobremesas. Não seguro uma risada quando Mozart, marido de Milena, diz que o pudim está uma delícia. Sei que até a hora de ir embora ainda sofreria como um cão, mas só aquela visão já me consolava. Quanta alergia, intoxicação e sabe-se lá mais o que aqueles restos de pêlo iam ocasionar. Foda-se. Cada um com seus problemas. E eu já tinha vários. Estendem um prato com o doce pra mim. Recuso. Prefiro apenas comer um bombom.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5513232985402146187-6181310033662496487?l=omundodehenry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omundodehenry.blogspot.com/feeds/6181310033662496487/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omundodehenry.blogspot.com/2009/08/pudim.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5513232985402146187/posts/default/6181310033662496487'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5513232985402146187/posts/default/6181310033662496487'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omundodehenry.blogspot.com/2009/08/pudim.html' title='Pudim'/><author><name>Henry McIllan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01925446600729867047</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://1.bp.blogspot.com/_M14r8xTf4RE/SVaVDR3_d0I/AAAAAAAAACQ/eJQRJbgsPhw/S220/perfil.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_M14r8xTf4RE/Solx5UcBPEI/AAAAAAAAAFI/HFT-CUK6a5Q/s72-c/Toy-Poodle-For-Sale.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5513232985402146187.post-1812492652071808502</id><published>2009-07-27T12:12:00.000-07:00</published><updated>2009-07-27T12:23:45.668-07:00</updated><title type='text'>Pulinhos</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_M14r8xTf4RE/Sm3-TJmgObI/AAAAAAAAAFA/DHTrS2pD7YE/s1600-h/bambi.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5363222336216512946" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 272px; CURSOR: hand; HEIGHT: 267px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_M14r8xTf4RE/Sm3-TJmgObI/AAAAAAAAAFA/DHTrS2pD7YE/s320/bambi.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;- Que tal sermos honestos um com o outro?&lt;br /&gt;- Heim?!&lt;br /&gt;- Honestidade. Vamos confessar .&lt;br /&gt;- Confessar o que, peste?&lt;br /&gt;- Se você disser com quem me traiu e quantas vezes, eu faço o mesmo.&lt;br /&gt;- Ui.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mauro tinha recebido esses dias mais um daqueles textos que são creditados ao Jabor. Bem, pra ele qualquer porcaria escrita pelo Jeremias (“foi o cão que butô pá nóis bebê”) poderia ser do Arnaldo, visto que sempre o considerou um chato de marca maior. Mas esse lhe pareceu interessante por se tratar de uma das grandes contradições do universo: a mente feminina.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O texto dizia que as mulheres não esperam um homem perfeito. Bem, com base na interpretação das palavras de Jabor, concluiu que perfeição e fidelidade são quase sinonímias. Enfim, pra resumir, o texto dizia que as mulheres não apenas NÃO esperam um homem fiel, mas também entendem a necessidade “biológica” da traição, sobretudo masculina.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Olhou meio de soslaio pra tela do computador, e deu uma grande risada, que ecoou pela sala. “Besteira. Balela. Embuste. Engodo. Fraude”, bradou. Uma piada, na verdade. Olhou para o lado, e viu a cara intrigada de seu amigo Tuca. Pigarreou e bradou solenemente, com aquelas vozes de Zé Wilker, no “A vida como ela é”:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Se a sua mulher disser que aceita uma traição, que é moderna, esclarecida, que entende que o homem deva mesmo dar suas escapadelas de vez em quando, desconfie. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E continuou: “olho vivo, rapaz”.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ainda explicou a um aparvalhado Tuca sua teoria. Como diria aquele cara do seriado Carga Pesada: “é uma cilada, Bino”. Das duas uma: ou ela quer te pegar no flagra, pra poder te escrotizar, te acusar, pedir o divórcio e ficar com a casa de praia, ou quer é arranjar motivos pra te por um par de chifres. Guampas, como se diz no sul. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Se você não tem vocação pra bambi, mas quer continuar dando seus saltitos, não caia nos ardis femininos - falou, com orgulho de seu próprio discurso.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sempre se considerou um cara esperto. Namorava há muito tempo a Ju. Tinham até planos de se casar. Porém, na lógica de Jabor, ele tinha suas necessidades. Volta e meia cedia aos apelos da natureza e saia com outras garotas. Sempre tinha um álibi, uma desculpa na ponta da língua. Se bem que quase nunca precisava. Era um artista. Um maestro na arte de orquestrar safadezas. Mentia com a cara mais deslavada do mundo. Qualquer acusação mais firme, o fazia chegar às lagrimas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No fundo, sentia que amava sua namorada, e que essas escapadelas não interferiam no gostar. Mas, no “day after” da putaria, sentindo uma leve ressaca moral, procurava fazer todas as vontades dela. Levava para jantar, para dançar. Arrumou um amigo suíço que contrabandeava chocolates (quem faz contrabando de chocolate?!). Gastava muito mais tempo no sexo oral, que ela adorava. Certa vez o sentimento de culpa foi tão grande que refletiu num deslocamento do maxilar. Ela gozou três vezes, ele foi direto pro ambulatório.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Só não contava que naquele domingo, logo pela manhã, Juliana ligasse e fizesse a intimação. Ainda meio grogue e com os olhos remelentos, ficou com a ordem ecoando por sua cabeça, como uma labirintite:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Venha aqui agora, que eu preciso falar com você.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Enquanto tomava seu banho, começou a cogitar hipóteses. Provavelmente alguém o teria visto na esbórnia e contado a ela alguma coisa. Sorriu por se dar conta de que possuía um estoque quase inesgotável de desculpas. Certamente ela cairia mais uma vez. Terminou, desligou o chuveiro e foi se vestir. Pegou as chaves do carro e o celular. Teve a precaução de apagar todas as mensagens. Não podia correr riscos. Teve orgulho de sua engenhosidade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ela já estava na varanda quando ele chegou. Seus pais haviam ido à missa, e por isso estavam sozinhos. Poderiam conversar a vontade por algumas horas. Mas ela já foi recusando seu beijo, e indo direto ao assunto: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Sei que você me trai, Mauro.&lt;br /&gt;- O que? Tá maluca? fingiu espanto, e sentiu-se até ofendido.&lt;br /&gt;- Olha só. Não adianta negar, eu sei. Mas também não quero brigar.&lt;br /&gt;- Ju, você ta doida. Não sei porque ta falando isso.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Manteve a calma. Buscou seu repertório de pretextos. Se preciso fosse, alegaria insanidade temporária, amnésia alcoólica. Diria que prestou um serviço de caridade pra pobre mocinha que nunca havia beijado alguém e que morreria em poucos dias. Juraria pela mãe mortinha, e até por Farrinha, a cadela que realmente já tinha morrido. Sairia dessa, e ainda seria o grande injustiçado. Já pensava até no furico de Juliana, que seria sua compensação por tamanha desconfiança, quando foi interrompido:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Só quero que você confesse. Só isso. – ela disse, com uma calma assustadora.&lt;br /&gt;- Não tenho que o que confessar. – reagiu.&lt;br /&gt;- Mauro, se você disser com quem saiu, eu também digo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tóim! Por essa ele não esperava. Como assim, ela confessar? “Será que essa vagabunda me chifrou?”. Ficou vermelho. Engasgou. Não conseguia pensar em mais nada. Ficou se imaginando como o motivo de piada dos amigos dela. Era corno, e ele não sabia como reagir.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- O que você tem pra me contar? – ele gritou.&lt;br /&gt;- Fica calmo. Já disse que só conto se você me falar. Com quem, e quantas vezes.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ficou acuado. Sentiu que ia se foder, mas não poderia ficar sem saber a verdade. Mataria Juliana e esganaria o safado. Ou faria o contrário, mas corno ele não ia ser.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Ok. Vamos lá.Eu falo.&lt;br /&gt;- Tá bom. Depois sou eu. – ela disse, tranquilamente.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Por mais de uma hora ela ouviu uma ladainha de nomes femininos. Alguns que ela já desconfiava, outros que ela nunca imaginou. Até primas e amigas tinham passado por ali. Apesar do espanto e dos esgares de nojo, mantinha uma passividade espantosa. Suas maiores reações eram de vez em quando um suspiro ou um levantar de sobrancelhas. Não disse uma só palavra, até ele ter terminado. Quando ele indicou que já não tinha mais ninguém, ela se pronunciou:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Tá bom. Agora vai embora, e nunca mais apareça aqui.&lt;br /&gt;- Opa. Peraí. Agora é a sua vez de falar. Com quem você me traiu? – disse, com os olhos vermelhos de raiva.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Foi curta e grossa:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Nunca o traí, seu babaca&lt;br /&gt;- ...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Entrou e bateu a porta. Ele ainda permaneceu ali tonto. Sentou na escada e sentiu o sangue escapar da cabeça. Sentiu-se branco, lívido, gelado. Teve medo de desmaiar, e foi cambaleando para o carro. Não sabia o que fazer, só queria ir embora, se esconder, escafeder. Deu partida e arrancou sem afivelar o cinto. Pegou o celular e ligou para ela. Não tinha certeza se queria xingá-la, ou pedir perdão. Nem teve muito tempo de decidir. Logo estava embaixo de um ônibus.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dois meses depois, ainda estava no hospital quando recebeu o envelope. Com os dois braços engessados e o colete ortopédico, não conseguia sequer abrir o envelope. Riu da situação, e apesar das fraturas que o deixariam mais um tempo na cama, sentia-se um sortudo por não ter morrido. Deu uma olhada, e curioso pediu que a enfermeira lesse em voz alta o convite de casamento de Juliana.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5513232985402146187-1812492652071808502?l=omundodehenry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omundodehenry.blogspot.com/feeds/1812492652071808502/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omundodehenry.blogspot.com/2009/07/pulinhos.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5513232985402146187/posts/default/1812492652071808502'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5513232985402146187/posts/default/1812492652071808502'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omundodehenry.blogspot.com/2009/07/pulinhos.html' title='Pulinhos'/><author><name>Henry McIllan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01925446600729867047</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://1.bp.blogspot.com/_M14r8xTf4RE/SVaVDR3_d0I/AAAAAAAAACQ/eJQRJbgsPhw/S220/perfil.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_M14r8xTf4RE/Sm3-TJmgObI/AAAAAAAAAFA/DHTrS2pD7YE/s72-c/bambi.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5513232985402146187.post-5178339422725581278</id><published>2009-02-28T08:49:00.000-08:00</published><updated>2009-02-28T08:58:19.536-08:00</updated><title type='text'>Calor</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_M14r8xTf4RE/Salr2ZVykNI/AAAAAAAAAD4/cK0ZWCT0GHs/s1600-h/ventilador.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5307892218092228818" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_M14r8xTf4RE/Salr2ZVykNI/AAAAAAAAAD4/cK0ZWCT0GHs/s320/ventilador.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;“Preciso falar com você. Mas tem que ser pessoalmente”, disparou. Uma voz meio chorosa, meio afoita. Ele não entendeu chongas, mas ficou preocupado. Há uns quatro meses que não se falavam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- To saindo pra almoçar, pode ser agora?&lt;br /&gt;- Uhum. Quer que eu te pegue aí?&lt;br /&gt;- Não. Me encontra naquele restaurante. Onde fomos na primeira vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira vez. Engraçado pensar nisso. A primeira vem em que se viram não foi recheada de romantismos e frases de amor. Nada de ternura e floreios. Foi uma febre intensa, um desejo ardente e filho da puta, que só deu trégua depois da terceira vez que foderam naquela tarde. Ela, exausta, suada, ofegante, só teve forças pra conferir as doze ligações em seu celular. Todas do seu marido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele já sabia que ela era casada, desde o começo. Conheceram-se acidentalmente pela internet, quando em um site de busca, ela achou o e-mail dele por engano. Muitas mensagens trocadas depois, resolveram se encontrar pra almoçar. Chegaram rápido. Apesar de não ser um encontro tão às cegas, a surpresa ficou claramente exposta naquele breve instante em que o descompasso do coração e o arrepio na espinha se converteram em dois grandes sorrisos de felicidade. Os olhos de uma cor diferente dela. A carinha de garoto pidão dele. Todos os detalhes esmiuçados foram os assuntos que renderam naquela refeição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maldito sistema capitalista, que impede que os almoços se prolonguem por mais horas. Despediram-se e cada um foi para seu lado. Poucas horas depois, um telefonema já antecipava o segundo encontro daquele dia. Beijos tórridos e amassos dentro do carro dele não iam conter todo aquele desejo. Mais alguns minutos, e as roupas pelo chão eram refletidas nos inúmeros espelhos daquele quarto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descobriram-se apaixonados, mas pouco se encontravam. Era uma espécie de “amor” diferente. Ficavam dias, semanas, meses sem se falar. Quando dava vontade, algum deles ligava, marcavam e se viam. Encontros furtivos. Sexuais. Violentos. Trepavam, trocavam juras de amor inconsistentes, trepavam de novo, e ela ia correndo se vestir pra chegar em casa antes do marido. Nos últimos tempos, os encontros foram se tornando mais raros. A vida agitada dele não permitia parar pra sentir tanta falta assim de alguém. Era uma situação cômoda que o agradava. Talvez no fundo até pudesse amar aquela mulher, mas não tinha, e nem pretendia ter a menor responsabilidade para com ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estacionou o carro em frente ao restaurante. Entrou. Sentiu-se aliviado pelo ar refrigerado forte que aplacava o calor daquele dia. Estava vazio. “Excelente”, pensou. Comeriam rápido, e poderiam conversar mais tranquilamente, cogitou, de forma prática. Ela estava sentada em uma mesa do canto. Já havia chegado há vinte minutos, o suficiente pra começar a sentir um pouco de frio ali dentro. Estava bonita. Mais bronzeada que da última vez que se viram. O cabelo liso e brilhante descendo pelos ombros, emoldurando o rosto alongado. Os olhos. Daquela cor que ele nunca conseguiu definir muito bem, mas que sempre o encantaram. Ela ensaiou levantar pra abraçá-lo. Ele se antecipou e a impediu, beijando demoradamente seu rosto e tocando em seu braço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O garçom trouxe o cardápio pra ele. Ela já sabia o que queria, e ele resolveu pedir o mesmo. O rapaz anotou os pedidos e saiu, ao mesmo tempo que ela falou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- To com um problemão. E preciso de sua ajuda.&lt;br /&gt;- Claro. O que eu puder fazer. Estou às ordens.&lt;br /&gt;- Acho que estou apaixonada. E por um homem casado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A franqueza com que ela disse isso foi assustadora. Ele ficou alguns segundos em silêncio, fazendo esgares de quem não sabia realmente o que dizer. Teve uma sensação como se todo o sangue fugisse de seu corpo. De repente o calor já não o incomodava. Sentiu frio. Boca seca. Se tivesse que descrever a sensação, provavelmente não saberia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela esperava uma resposta. Uma reação. Qualquer manifestação dele que indicasse que ela não era doida, ou que pelo menos não fosse uma puta pervertida. E talvez, bem lá no fundo, essas duas hipóteses tivessem passado pela cabeça dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não sei o que te dizer. Soltou, simplesmente.&lt;br /&gt;- Como não? Não era essa a resposta que eu esperava.&lt;br /&gt;- E queria que eu dissesse o que?&lt;br /&gt;- Não sei. Você é meu amigo. Tem que me dar algum conselho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentiu vontade de rir. De amante lascivo fora rebaixado a amigo confidente. O “Zé”, daquela música deprê do Léo Jaime. Demais pra uma tarde de calor, e pra um prato de penne com salmão de tamanho ridículo, que ele nem lembrava ter pedido. Respirou pausadamente. Buscou no mais profundo recôndito de sua alma uma centelha de nobreza e fidalguia, que fizesse tombar sua dignidade, permitindo dar um conselho que acalentasse a alma perturbada daquela sua pobre amiga. “Puta merda. Amiga é o caralho”. Pensou, já de pé, e terminando a segunda garfada no prato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quer saber de uma coisa? Vai se foder.&lt;br /&gt;- Heim? O que você disse?&lt;br /&gt;- Vai se foder. Você, seu marido, o cara, a mulher chifruda dele e todo mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tirou umas notas amassadas do bolso e jogou na mesa. Saiu pisando duro. Um garçom deu “boa tarde”, tendo como resposta um grunhido. Colocou os óculos de sol, olhou pra cima. Suspirou. Entrou no carro, deu partida e pensou: “porra. Hoje ta quente pra cacete”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5513232985402146187-5178339422725581278?l=omundodehenry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omundodehenry.blogspot.com/feeds/5178339422725581278/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omundodehenry.blogspot.com/2009/02/calor.html#comment-form' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5513232985402146187/posts/default/5178339422725581278'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5513232985402146187/posts/default/5178339422725581278'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omundodehenry.blogspot.com/2009/02/calor.html' title='Calor'/><author><name>Henry McIllan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01925446600729867047</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://1.bp.blogspot.com/_M14r8xTf4RE/SVaVDR3_d0I/AAAAAAAAACQ/eJQRJbgsPhw/S220/perfil.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_M14r8xTf4RE/Salr2ZVykNI/AAAAAAAAAD4/cK0ZWCT0GHs/s72-c/ventilador.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5513232985402146187.post-4120349403442031022</id><published>2009-02-27T23:32:00.000-08:00</published><updated>2009-02-28T08:59:28.255-08:00</updated><title type='text'>Kenny G</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_M14r8xTf4RE/SajqUhIY9XI/AAAAAAAAADw/a3Hf8nwf5yY/s1600-h/kenny.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5307749799067972978" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 213px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_M14r8xTf4RE/SajqUhIY9XI/AAAAAAAAADw/a3Hf8nwf5yY/s320/kenny.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_M14r8xTf4RE/Sajp0H2A8II/AAAAAAAAADo/V-DwKbtnzpg/s1600-h/f_18kennyG.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Meu amor. Isso é realmente necessário?&lt;br /&gt;- Ai. Deixa de ser bobo. É só pra dar um clima. Pra ficar mais gostoso.&lt;br /&gt;- Ta, eu sei. Mas, essas velas. Sei lá. Não é meio perigoso? Pode pegar fogo.&lt;br /&gt;- Você não ta com medo né, meu bem?&lt;br /&gt;- Os acidentes acontecem exatamente assim. Sou novo demais pra morrer tostado.&lt;br /&gt;- Olha, só. Não estrague a nossa noite romântica. Deixa de paranóia e vai colocar uma música pra gente ouvir.&lt;br /&gt;- Ok.&lt;br /&gt;- Tem um CD que eu já deixei ai em cima do som. Coloca ele.&lt;br /&gt;- Não é esse aqui do Kenny G não, né?&lt;br /&gt;- Esse mesmo, por quê?&lt;br /&gt;- Hahahahah. Não fode. Você não vai me obrigar a ouvir isso. É muito chato.&lt;br /&gt;- Heim?&lt;br /&gt;- Esse "fuó...fuó" que ele faz no saxofone. É ruim que só a merda. Já viu "o acasalamento do suricate" no Discovery Channel? Igual.&lt;br /&gt;- Larga de ser grosso. As músicas dele são lindas.&lt;br /&gt;- Ah, para. Nem morto eu coloco isso. Essas velas fedorentas, mais essa música de corno. Tá arriscado eu nunca mais conseguir ter uma ereção depois disso. Kenny G brocha qualquer cidadão.&lt;br /&gt;- Nossa. Como você é estúpido. Quer saber? Esquece. Vou pra casa. É muita grosseria pro meu gosto.&lt;br /&gt;- Ah, não. Não vou deixar você ir embora assim. Vamos comer primeiro, depois você pode ir.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5513232985402146187-4120349403442031022?l=omundodehenry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omundodehenry.blogspot.com/feeds/4120349403442031022/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omundodehenry.blogspot.com/2009/02/kenny-g.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5513232985402146187/posts/default/4120349403442031022'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5513232985402146187/posts/default/4120349403442031022'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omundodehenry.blogspot.com/2009/02/kenny-g.html' title='Kenny G'/><author><name>Henry McIllan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01925446600729867047</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://1.bp.blogspot.com/_M14r8xTf4RE/SVaVDR3_d0I/AAAAAAAAACQ/eJQRJbgsPhw/S220/perfil.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_M14r8xTf4RE/SajqUhIY9XI/AAAAAAAAADw/a3Hf8nwf5yY/s72-c/kenny.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5513232985402146187.post-1900730784219268255</id><published>2009-02-23T08:56:00.000-08:00</published><updated>2009-02-23T09:00:58.846-08:00</updated><title type='text'>Somos nozes</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_M14r8xTf4RE/SaLVyWqy20I/AAAAAAAAADg/Uoec5PqDg_Q/s1600-h/ATcAAADCr45Grj8iJw-x8SRs6vF4HeWypl0QIjU9BKmQ-s6GxEvdZASPMsC20pDfK2PXAZqpHAANhldaQXxj09HvUCi4AJtU9VC4xZiivhs-yrB8qwUcUh-XsM_Pvg.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5306038372051114818" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 244px; CURSOR: hand; HEIGHT: 242px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_M14r8xTf4RE/SaLVyWqy20I/AAAAAAAAADg/Uoec5PqDg_Q/s320/ATcAAADCr45Grj8iJw-x8SRs6vF4HeWypl0QIjU9BKmQ-s6GxEvdZASPMsC20pDfK2PXAZqpHAANhldaQXxj09HvUCi4AJtU9VC4xZiivhs-yrB8qwUcUh-XsM_Pvg.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Caramba, eu não falei. Você conseguiu de novo. Putz. Você é "o cara".&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Que nada, para com isso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Porra. É sério. Quando eu crescer quero ser que nem você.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Ah, que exagero. Nem sou "o cara".&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Nada. Você é sim.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Não, não. Sou apenas um esquilinho, tentando conseguir uma noz.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- ...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Que foi? Que cara é essa?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Como é? Esquilinho? Noz?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- É. Não sou "o cara". Sou um esquilinho tentando conseguir uma noz. Nunca ouviu essa expressão?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Expressão? Isso não é expressão. Isso é viadagem.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Heim?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Caralho. Isso é boiolice da grossa. Porra. Esquilinho? Que merda é essa?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Ah, vai se foder. Não tenho culpa que você nunca ouviu.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Hahahahah. Esquilinho...esquilinho. Ui...ui. Pega aqui nas minhas nozes. Hehehehe.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Filho da puta...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Esquilinhoooooooo...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5513232985402146187-1900730784219268255?l=omundodehenry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omundodehenry.blogspot.com/feeds/1900730784219268255/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omundodehenry.blogspot.com/2009/02/somos-nozes.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5513232985402146187/posts/default/1900730784219268255'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5513232985402146187/posts/default/1900730784219268255'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omundodehenry.blogspot.com/2009/02/somos-nozes.html' title='Somos nozes'/><author><name>Henry McIllan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01925446600729867047</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://1.bp.blogspot.com/_M14r8xTf4RE/SVaVDR3_d0I/AAAAAAAAACQ/eJQRJbgsPhw/S220/perfil.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_M14r8xTf4RE/SaLVyWqy20I/AAAAAAAAADg/Uoec5PqDg_Q/s72-c/ATcAAADCr45Grj8iJw-x8SRs6vF4HeWypl0QIjU9BKmQ-s6GxEvdZASPMsC20pDfK2PXAZqpHAANhldaQXxj09HvUCi4AJtU9VC4xZiivhs-yrB8qwUcUh-XsM_Pvg.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5513232985402146187.post-995805495222245269</id><published>2009-02-18T10:53:00.000-08:00</published><updated>2009-02-18T11:23:51.171-08:00</updated><title type='text'>Hoje acordei com o rádio tocando INXS</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_M14r8xTf4RE/SZxcv94oUlI/AAAAAAAAADY/LNhQd8S1TBY/s1600-h/The-Soundtrack.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5304216440271295058" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_M14r8xTf4RE/SZxcv94oUlI/AAAAAAAAADY/LNhQd8S1TBY/s320/The-Soundtrack.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_M14r8xTf4RE/SZxadr85CzI/AAAAAAAAADQ/0hTRuDVhhOA/s1600-h/sem+tÃ&amp;shy;tulo.bmp"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Acho que nunca me conformei com a morte do Michael Hutchence. Claro. Não que eu tenha sido seu maior fã, ou algo que o valha. Mas é que toda vez que ouço “By my side”, sinto um aperto no peito, e aquele nó na garganta. Começo dos anos 90. Ótima época. Ainda estava no segundo grau, ainda tinha cabelo. Poucas preocupações, a não ser estudar um pouco, dormir à tarde e pensar que grupo muscular eu exercitaria na academia mais à noite.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me também das minhas primeiras frustrações e decepções. Da minha primeira dor-de-cotovelo e, consequentemente, do primeiro porre com vinho barato. Até hoje fico pensando como apesar de tudo tive dignidade ao acertar a pontaria na privada, enquanto “ouvia” minha mãe brigando. Grandes amizades, novas idéias. As decisões do que fazer, de como conduzir o resto da minha vida estavam pra chegar, mas ainda podiam esperar um pouco.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Anos e músicas se passaram. E engraçado pensar numa trilha sonora que acompanha sua vida. Talvez nem todos os momentos mereçam ser eternizados numa canção, mas outras deveriam ganhar regravações, versões instrumentais com a Filarmônica de Berlim, a capella, com o coro dos meninos castrati de Viena e remixes do Timbaland.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;O primeiro dia na faculdade. O choque da primeira agência. O primeiro salário gasto com alguma coisa inútil, mas divertida. Bem, no meu caso, meio tóxica e inflamável. A perda de pessoas queridas, ao mesmo tempo que outras chegavam. As descobertas boas e as ruins.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Mesmo aquela música do David Bowie que lembra um grande amor que foi embora. Ou The Corrs, que apesar de babinha e tema de novela, embalou ótimos momentos que nem a distância conseguiria impedir. Aquela viagem fantástica, mas demorada, cuja única música que prestava no CD era "Downtown", do Peaches. A explicação incompreensível de "Wonderful Tonight", que é brega de doer, mas consegue me fazer fechar os olhos e até suspirar quando ouço. Todas provocam a mesma sensação estranha: uma nostalgia que me deixa dúvidas, se gosto ou não de sentir.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Se pudesse incluir aleatoriamente algumas músicas, colocaria até umas de gosto bem duvidoso. Talvez Bee Gees. Furingo até a última geração dos Gibbs. Acho Dalto fantástico. Fatalmente teria alguma dele. Se bem que não sei onde se encaixaria.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;- Ai, Henry. Ai. Vai. Continua assim.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Humm. Delícia. Isso. Geme, geme. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Aiiiiiiiii. Bate, Henry. Bate na minha bunda. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Vou só aumentar o rádio, pra vizinhança não ouvir. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;“Uhhhh. Cuida bem de mimmmmm. Então misture tudo. Dentro de nós”. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Calma, Henry. Isso acontece. Vamos tentar de novo depois.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Acho que toda vida deveria ter uma trilha sonora. Pra ser memorável. Pra ser inesquecível. Quem não lembra da overdose de Uma Thurman, ao som do Urge Overkill? Stallone treinando nos acordes de Survivor. Diane Lane dublando “Nowhere fast”, enquanto o Tom Cody de Michael Paré vai embora da cidade. A “Marcha Imperial” do Darh Vader. Até aquela merda de “Unchained Melody”, que embalou o amor elameado do Patrick Swayze a da Demi Moore, é lembrado. Por que então, nós, pessoas comuns, não podemos ter um disquinho só nosso? Com uma capinha feita utilizando aquelas fotos de estúdio. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;É. Acho que tenho algum CD do INXS aqui. “New sensation” é uma boa. Depois eu ouço “By my side”.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Ilustração do Luke Chueh, &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;a href="http://www.lukechueh.com/"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;http://www.lukechueh.com/&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://www.lukechueh.com/"&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5513232985402146187-995805495222245269?l=omundodehenry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omundodehenry.blogspot.com/feeds/995805495222245269/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omundodehenry.blogspot.com/2009/02/hoje-acordei-com-o-radio-tocando-inxs.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5513232985402146187/posts/default/995805495222245269'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5513232985402146187/posts/default/995805495222245269'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omundodehenry.blogspot.com/2009/02/hoje-acordei-com-o-radio-tocando-inxs.html' title='Hoje acordei com o rádio tocando INXS'/><author><name>Henry McIllan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01925446600729867047</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://1.bp.blogspot.com/_M14r8xTf4RE/SVaVDR3_d0I/AAAAAAAAACQ/eJQRJbgsPhw/S220/perfil.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_M14r8xTf4RE/SZxcv94oUlI/AAAAAAAAADY/LNhQd8S1TBY/s72-c/The-Soundtrack.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5513232985402146187.post-8227358963385874426</id><published>2009-02-05T18:29:00.000-08:00</published><updated>2009-02-09T08:22:20.073-08:00</updated><title type='text'>Manilha</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_M14r8xTf4RE/SYuhtlVt1hI/AAAAAAAAADI/Pa5vVtbi2Dk/s1600-h/terno.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5299507191020901906" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 231px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_M14r8xTf4RE/SYuhtlVt1hI/AAAAAAAAADI/Pa5vVtbi2Dk/s320/terno.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;“Droga”, pensei. Um calor da porra, e eu de terno preto e gravata. Só mesmo aquele asno do Manilha pra me fazer vestir isso, em pleno sol louro do verão, e ao meio-dia. Maldita exigência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estávamos no intervalo da pelada de quinta à noite, quando ele fez o pedido: &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;- Henry, você é meu brother, né? Perguntou, com um sorriso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Ih. Lá vem. Quando começa com essa viadagem é porque lá vem coisa.&lt;br /&gt;- É sério, porra. Preciso te pedir uma coisa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Não falei? Você é muito previsível. Nem disfarça. Mas vai lá. Pode pedir. Não é grana, né?&lt;br /&gt;- No meu enterro, faz a galera ir de terno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Disparou assim. Comecei a rir, meio que não entendendo a palhaçada. “Não fode”, falei no meio de uma gargalhada. Mas ele tinha um estranho aspecto de seriedade no tom, apesar da cara vermelha e suada pelo futebol. Como levar a sério? Era um pândego. Um fanfarrão. Seu maior defeito acabava sendo uma qualidade pra gente: mulherengo. Toda semana, uma diferente. Às vezes, mais de uma. Outras, mais de duas ou três. Não era tão bonito, mas tinha um certo charme debochado e despretensioso que chamava a atenção das mulheres. Desconsidere qualquer questão ética e moral que envolva a monogamia. Não o julgávamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vivia se metendo em confusão com maridos chifrudos, mulheres psicóticas e casadoiras-maníaco-compulsivas. Chegava sempre no jogo com uma história nova. A ninfeta que gostava de apanhar. A coroa que só transava vestida. As gêmeas. A personal trainer. Tinha exatamente esse apelido por conta de uma dessas confusões. Certa vez, passou a noite inteira dentro de um buraco na rua, aberto pela prefeitura. Fugia do noivo policial de uma de suas garotas. Só de cueca e meia, ficou a madrugada chuvosa e fria dentro de uma manilha de esgoto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não deu uma semana e eu desligava o telefone, com as mãos na cabeça e um nó na garganta. Era o Lucas, falando que o Manilha tinha acabado de dar entrada no hospital. “Caralho, bicho. Que merda é essa?”, pensei. Exatamente uma semana depois da pelada, e do pedido dele. Teimava em imaginar o pior. Troquei de roupa e fui correndo pra lá. Éramos todos da mesma época. Crescemos juntos, todos bons amigos. Cada um do grupo que se casava, escolhia na sorte quem seriam os padrinhos, pra desespero da noiva, que sempre tinha que se preocupar com a despedida organizada por nós. Muita farra, noites mal dormidas, regadas a cerveja, tira-gosto e um papo que era basicamente o mesmo assunto, mas que rendia pela madrugada. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Estacionei o carro e vi o Marcello lá fora, fumando. Foi o primeiro a chegar, tinha os olhos inchados e tremia muito. Achava que ele só fumava quando bebia. Péssimo hábito. Fui em direção a ele, já com uma pressão sobre a cabeça e uma sensação ruim. “Coração, Henry. Novo daquele jeito”, ele disse, já me abraçando. Marcello terminou o cigarro, abanou a fumaça e pegou um chiclete. Estendeu a mão trêmula e me ofereceu.“É, quero. Valeu”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui até a porta de entrada do hospital. O cheiro de éter entrou pelas minhas narinas como uma lança. Senti vertigem. Sempre odiei hospitais. Visitar amigos ou parentes doentes era um suplício. E agora estava ali, na frente dos familiares de Manilha, com aquela maldita sensação de “tá, e agora? O que eu falo?”. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Além do Marcello estavam lá o Guto, o Orlando, o Quinho e o Marco Antônio. Mas os celulares não paravam de tocar. Todos atrás de alguma informação. Dona Rosa, a mãe do Manilha, estava sentada num canto, amparada pelas outras filhas. Tinha uma expressão de quem já tinha chorado o máximo de tristeza e secado, de tanto pesar. Fui até ela. As meninas sorriram pra mim e me abraçaram. Desde o Natal não nos falávamos. Dona Rosa levantou os olhos, passou a mão pelo meu rosto e disse baixinho: vai lá dentro acordar seu irmãozinho, pra gente ir embora pra casa”. Botei o rosto entre suas mãos, e solucei como uma criança. Foi ao lado dela que recebi a notícia do médico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouvi a buzina do carro enquanto terminava de dar a última olhada no espelho. Apertei um pouco mais a gravata e não pude deixar de pensar: “seu puto, você conseguiu convencer a gente a usar essa merda”. Peguei meus óculos escuros, tranquei a porta de casa e vi que Marcello estava fora do carro me esperando. Me deu um abraço, riu e perguntou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É impressão minha ou isso tá com cara de filme de comédia inglesa?&lt;br /&gt;- Aham. Falta a Andie MacDowell de chapéu. E uma música do Elton John.&lt;br /&gt;- Tem aqui no CD. “Empty garden”. Quer ouvir?&lt;br /&gt;- Marcello. Você ta muito viadinho pro meu gosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cemitério estava cheio. Achávamos que seria rápido, mas o espanto viria a seguir. O número de mulheres era surpreendente. Todas bem arrumadas tentando conter o choro. Chegavam uma a uma, altas, baixas, louras, morenas, ruivas. Era engraçado, porque conseguíamos reconhecer cada uma delas, graças às descrições que o Manilha nos dava. “A passista de Boa Vista, Henry”, sussurrou Marcello, apontando pra mulata gigante, e lembrando de uma das histórias mais memoráveis do safado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todas de preto. Algumas até com véu. Aquilo soava como mais um dos pedidos extravagantes daquele maluco. Solidárias na mesma dor, se cumprimentavam. Ele gostou de cada uma delas, e pelo visto, o sentimento era mútuo. Ali não parecia existir frustração, mágoa, rancor. A maioria contida, com exceção de uma mocinha de óculos, o rosto vermelho de tanto chorar. Ela chegou bem próxima à cova, e todos voltaram a atenção para a cena. Enxugou as lágrimas com um lenço de seda e num gesto brusco, arrancou do dedo direito uma aliança que foi arremessada com toda fúria em cima do caixão. O barulho seco provocou um “ohh” coletivo. Dona Rosa virou o rosto em minha direção, e numa expressão solícita esperava alguma espécie de explicação. Fiz minha melhor cara de origami. Também não sabia o que dizer, o puto estava noivo e não disse nada? Vai ver por isso que teve um pirepaque. Fui obrigado a disfarçar um sorriso. “Filho da mãe”, pensei.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5513232985402146187-8227358963385874426?l=omundodehenry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omundodehenry.blogspot.com/feeds/8227358963385874426/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omundodehenry.blogspot.com/2009/02/droga-pensei.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5513232985402146187/posts/default/8227358963385874426'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5513232985402146187/posts/default/8227358963385874426'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omundodehenry.blogspot.com/2009/02/droga-pensei.html' title='Manilha'/><author><name>Henry McIllan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01925446600729867047</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://1.bp.blogspot.com/_M14r8xTf4RE/SVaVDR3_d0I/AAAAAAAAACQ/eJQRJbgsPhw/S220/perfil.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_M14r8xTf4RE/SYuhtlVt1hI/AAAAAAAAADI/Pa5vVtbi2Dk/s72-c/terno.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5513232985402146187.post-9174145488646193826</id><published>2008-12-28T09:54:00.000-08:00</published><updated>2009-02-23T08:48:36.708-08:00</updated><title type='text'>Mudança</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_M14r8xTf4RE/SVe9sYm_9QI/AAAAAAAAACw/SHBvNzvu5Yo/s1600-h/IMG_2611.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5284901257960486146" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 212px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_M14r8xTf4RE/SVe9sYm_9QI/AAAAAAAAACw/SHBvNzvu5Yo/s320/IMG_2611.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Finalmente chegara o dia. Depois de muita enrolação, desculpas e pretextos ele iria embora. "Até que enfim"- ela pensou - "Paz pra minha vida". Tudo devidamente empacotado. A mala, a cuia, a pia da cozinha. Nem os discos velhos, relíquias genuínas, ela quis. Pra que se desgastar com um negócio que ela nem teria onde tocar. Tralha por tralha, ele já vai deixar um monte pra trás. Ela já tinha mesmo aquele raro da Ella Fitzgerald em cd.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na ultima viagem até o estacionamento do prédio, onde a caminhonete estava, ela ainda pensou em esbravejar. "Porra, é um preguiçoso mesmo. Se eu não carrego esses cacarecos, nunca que ele vai embora. Como fui agüentar esse traste tanto tempo?” 13 anos, sete meses e 22 dias para ser mais exato. E pela quinta vez estavam se separando, mas ao que tudo indicava dessa vez era definitivo. Não que as outras quatro não fossem. Mas os motivos de agora pareciam mais cabulosos. Nada de detalhes, ela apenas acredita que é justificável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De volta ao apartamento, o meio vazio da sala, do escritório e do quarto soaram estranhamente. Um misto de alivio e angústia. Tinha se acostumado a viver com ele. Não que fosse a melhor experiência do mundo, mas a solidão também é inclemente. E se a lâmpada queimasse? Se o chuveiro estragasse. Teria que voltar a malhar, ou nunca mais compraria vidros de azeitona ou maionese com tampas herméticas. “A cruel constatação da utilidade masculina”, ela pensou e riu, meio sem graça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca quiseram filhos. “São brinquedos caros e úmidos”, ela dizia. Ele, o mais velho de 4 irmãos, já estava acostumado a cuidar de crianças, mas respeitava a decisão dela, e no fundo achava que ainda tinham que aproveitar mais a vida a dois. Tiveram um cachorro, que ele trouxe e a deu de presente de aniversário. Apesar de meio contrariada, aceitou. No primeiro xixi no carpete, cachorro, casinha, coleira e osso de borracha foram parar no sítio dos pais dele, no interior de Brejetuba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As viagens eram um processo. Ele queria sossego. Passar uns momentos com ela, tão raros por conta da agitação, da correria. O doutorado dela, o restaurante dele. Ele saia na hora em que ela estava chegando. Um “Feitiço de Áquila” contemporâneo, permeado por frases curtas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Comprei aquela revista.&lt;br /&gt;- Ah tá. Chegou carta pra você.&lt;br /&gt;- Sua mãe me ligou. Depois fala com ela.&lt;br /&gt;- Coloca o risoto no microondas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um beijo rápido e tchau.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela queria mais agitação. Nada de campo, interior, fazendinha. Queria metrópole. Cinema, teatro, baladas. Sair com os amigos. Uma vingança pessoal contra os anos da adolescência controlada por uma família tradicional. Os coleguinhas indo pras festinhas, viagens. Ela estudando e dando aula de catecismo para as crianças da igreja do bairro. Quem diria que as últimas duas vezes que pisou em uma foi para um casamento, e para uma missa de sétimo dia. Em ambos chegou nos dez minutos finais. E ainda sentiu um pouco de tédio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas tinham gostos parecidos. Refinados. Apesar das diferenças, conseguiam rir das mesmas piadas, entender os mesmos textos e conceitos. Concordavam na escolha do restaurante, do vinho. Reclamavam da mesma crítica injusta feita ao novo filme dos Coen. Cantarolavam o mesmo trecho da música, completavam assoviando e tamborilavam na mesa do bar no mesmo ritmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele, mais metódico. Ela, mais afoita. A calma dele, a impulsividade dela. Uma “pororoca de sensações”, como diria o Xico Sá. Ou o Pereio. Ou nenhum dos dois, mas era isso. Contrapontos. Contrasensos. Contradições. Compensações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sexo era um primor. Magistral. Encaixe perfeito, sintonia. Um olhar. Um jeito diferente de rir. Uma insinuação mais leve e já estavam trepando. Sem preliminares, sem muitos diálogos ou mesuras. Só uma febre intensa. Algumas vezes, nem esperavam chegar na cama ou tirar a roupa completamente. E eram fodas homéricas. Daquela que mereceriam um nobel, uma medalha, uma menção honrosa nos anais (sem duplo sentido) do sexo mundial bem feito. Uma bem dada. Duas, três. A fadiga, o peito arfante, o suor, a ardência do “após”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo assim, ela estava ali. Segurando a última caixa da mudança dele. Já nem está mais achando que o colchão que ele encomendara demorou tanto a chegar, por isso o atraso na mudança. A briga pelo aparelho de barbear novo dele, que ela usou pra raspar as axilas parece bobagem. A incompatibilidade de gênios, expressada pela diferente forma que eles apertavam o tubo de pasta de dentes soava como uma grande infantilidade. Olhou para ele, que amarrava umas coisas no carro. Passou a mão pelos olhos e deu uma fungada. Ele perguntou se ela tinha falado alguma coisa. “Não”, respondeu. “Mexer nessas coisas fez minha alergia vir a tona”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Acabei. Dá aqui essa caixa. Vou colocar lá na frente.&lt;br /&gt;- Uhum. E as outras coisas? Você ainda deixou um monte aqui.&lt;br /&gt;- É. Depois eu passo aqui pra pegar o resto.&lt;br /&gt;- Quando?&lt;br /&gt;- Ah, não sei. Talvez amanhã, ou depois.&lt;br /&gt;- Vem amanhã. Eu faço aquele macarrão que você gosta.&lt;br /&gt;- Você nunca fez macarrão. Eu que sempre cozinho.&lt;br /&gt;- Tá. Eu compro um vinho então.&lt;br /&gt;- Pode ser. Amanhã eu te ligo.&lt;br /&gt;- Liga? Que horas?&lt;br /&gt;- Não sei. A tarde.&lt;br /&gt;- Liga de manhã. A tarde vou sair. Pra gente combinar direito&lt;br /&gt;- Ok. Eu ligo. Tchau.&lt;br /&gt;- Tchau. Mas liga cedo, tá? Vou ficar esperando.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5513232985402146187-9174145488646193826?l=omundodehenry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omundodehenry.blogspot.com/feeds/9174145488646193826/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omundodehenry.blogspot.com/2008/12/mudana.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5513232985402146187/posts/default/9174145488646193826'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5513232985402146187/posts/default/9174145488646193826'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omundodehenry.blogspot.com/2008/12/mudana.html' title='Mudança'/><author><name>Henry McIllan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01925446600729867047</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://1.bp.blogspot.com/_M14r8xTf4RE/SVaVDR3_d0I/AAAAAAAAACQ/eJQRJbgsPhw/S220/perfil.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_M14r8xTf4RE/SVe9sYm_9QI/AAAAAAAAACw/SHBvNzvu5Yo/s72-c/IMG_2611.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5513232985402146187.post-2565356815331377258</id><published>2008-12-27T13:16:00.000-08:00</published><updated>2008-12-27T13:27:26.986-08:00</updated><title type='text'>Vá, Gina...vá...</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_M14r8xTf4RE/SVacZhGqGyI/AAAAAAAAACo/iS0aLii8H4Q/s1600-h/palito+gina.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5284583174962813730" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_M14r8xTf4RE/SVacZhGqGyI/AAAAAAAAACo/iS0aLii8H4Q/s320/palito+gina.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Gostaria que as pessoas não pensassem que tenho soluções para todos os problemas..principalmente para os delas:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Puta merda! Estamos fodidos. As paredes estão se fechando. Seremos esmagados.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Ei, calma. Relaxa. O Marcello tá aqui.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Grandes merdas. O que ele vai poder fazer pra nos salvar. Se sairmos daqui, ainda tem o campo minado e a selva equatorial cheia de animais selvagens para enfrentar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Porra, larga de ser pessimista. Marcello Miranda sempre dá um jeito. Ali, tá vendo. Ele já tá com aquela cara. E tirando alguma coisa do bolso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- É mesmo. Eu tô vendo. O que será?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Hehehe. Aposto que é alguma parafernália high-tech que só ele conhece. Ou algum composto explosivo que ele desenvolveu.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Perai. Tá parecendo um palito. E é. Um Palito de dentes.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Uai. Marcello. Ei, Marcello. O que você vai fazer com esse palito?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Como assim, o que vou fazer com esse palito?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- É. O que vai fazer com ele?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Ué. Palitar os dentes?! &lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Mas, e nós?! O que faremos?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Eu tenho mais um palito. Vocês dividem? &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5513232985402146187-2565356815331377258?l=omundodehenry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omundodehenry.blogspot.com/feeds/2565356815331377258/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omundodehenry.blogspot.com/2008/12/palitando.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5513232985402146187/posts/default/2565356815331377258'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5513232985402146187/posts/default/2565356815331377258'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omundodehenry.blogspot.com/2008/12/palitando.html' title='Vá, Gina...vá...'/><author><name>Henry McIllan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01925446600729867047</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://1.bp.blogspot.com/_M14r8xTf4RE/SVaVDR3_d0I/AAAAAAAAACQ/eJQRJbgsPhw/S220/perfil.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_M14r8xTf4RE/SVacZhGqGyI/AAAAAAAAACo/iS0aLii8H4Q/s72-c/palito+gina.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5513232985402146187.post-197633871601748843</id><published>2008-12-27T11:30:00.000-08:00</published><updated>2008-12-27T11:42:39.112-08:00</updated><title type='text'>Só as mães são felizes</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_M14r8xTf4RE/SVaEWcYcjkI/AAAAAAAAABM/QYIBxnn-1w8/s1600-h/003423_22.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5284556733876571714" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_M14r8xTf4RE/SVaEWcYcjkI/AAAAAAAAABM/QYIBxnn-1w8/s320/003423_22.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Eis que vem a pergunta:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Mas mãe, porque eu não posso ir lá fora? &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Marquinhos, meu filho. Está chovendo. A mamãe já disse que você é um menino frágil, pode ser resfriar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Eu só quero jogar bola, mãe. Só um pouquinho. Tá todo mundo lá. Até o Vassoura, que a mãe é a maior chatona.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Meu querido, um menino que tem o nome de Vassoura, nem deve ter mãe.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Não é nome mãe, é apelido.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Que seja, meu anjo. Você tem mãe. Zelosa, que só quer o seu bem. Não vou deixar você sair na chuva. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Poxa mãe. E o que eu vou ficar fazendo aqui dentro de casa?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Ah, tanta coisa. Você pode pintar, desenhar, ver televisão. Não está na hora dos desenhos? Vai passar aquele que você adora, do ursinho.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;-Desenho mãe? Eu não sou mais criança...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Ahhh, que lindinho. O meu homenzinho. Vai meu bem, pega aquele novelo ali pra mim, o azul.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;-Tó. Olha mãe, a chuva tá passando. Posso ir agora? &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Meu bebê. Já falei que não. Obedeça a mamãe.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Porra mãe. Você só me fode, heim?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- O que!?! Quem anda te ensinando esse palavreado? Aposto que é aquela vaca da sua mulher. Eu sabia. Desde o dia que aquela biscate colocou os pés aqui em casa eu vi que aquilo não valia nada. Assim você vai matar sua mãe, Marcos Augusto. Tudo por causa daquela vadia.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Desculpa, mãe. Fica calma. Vou fazer um chá pra senhora.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Obrigada, filhinho. Você é um amor. Agora vem cá, deixa a mamãe arrumar essa gola. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5513232985402146187-197633871601748843?l=omundodehenry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omundodehenry.blogspot.com/feeds/197633871601748843/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omundodehenry.blogspot.com/2008/12/s-as-mes-so-felizes.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5513232985402146187/posts/default/197633871601748843'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5513232985402146187/posts/default/197633871601748843'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omundodehenry.blogspot.com/2008/12/s-as-mes-so-felizes.html' title='Só as mães são felizes'/><author><name>Henry McIllan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01925446600729867047</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://1.bp.blogspot.com/_M14r8xTf4RE/SVaVDR3_d0I/AAAAAAAAACQ/eJQRJbgsPhw/S220/perfil.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_M14r8xTf4RE/SVaEWcYcjkI/AAAAAAAAABM/QYIBxnn-1w8/s72-c/003423_22.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5513232985402146187.post-8244875220313006877</id><published>2008-12-27T11:13:00.000-08:00</published><updated>2008-12-27T11:28:19.689-08:00</updated><title type='text'>Dreeeeaaaammm, dream, dream, dream.</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_M14r8xTf4RE/SVaBxxkFJjI/AAAAAAAAABE/XaZsHn3dcKY/s1600-h/bunda_brasil.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5284553904884098610" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 215px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_M14r8xTf4RE/SVaBxxkFJjI/AAAAAAAAABE/XaZsHn3dcKY/s320/bunda_brasil.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Tá acordado?&lt;br /&gt;- Hummm?!?!&lt;br /&gt;- Você tá acordado?&lt;br /&gt;- Uhumm...tô. Agora tô, né?&lt;br /&gt;- Sonhei com a minha bunda.&lt;br /&gt;- O que?!&lt;br /&gt;- Minha bunda. Eu sonhei com ela.&lt;br /&gt;- Como assim?&lt;br /&gt;- Ué. Minha bunda. Eu olhava pra ela.&lt;br /&gt;- Como você conseguia olhar pra sua própria bunda?&lt;br /&gt;- É, isso que é estranho. Porque eu olhava ela de frente&lt;br /&gt;- Peraí, de frente? Mas a bunda não é nas costas? Como você conseguiu olhar de frente?&lt;br /&gt;- Não. Eu olhava pra ela. Ela estava na minha frente&lt;br /&gt;- Mas então não era a sua bunda.&lt;br /&gt;- Era sim. Eu sei que era. Eu consegui reconhecer. E tinha umas listras esquisitas.&lt;br /&gt;- Tipo estrias?&lt;br /&gt;- Não. Não eram estrias. Eram uns círculos concêntricos. Dispostos em sentido longitudinal.&lt;br /&gt;- ...&lt;br /&gt;- É, eu sei. Muito esquisito.&lt;br /&gt;- Tá. Mas se ela estava na sua frente, que bunda é a que estava atrás de você?&lt;br /&gt;- Heim?!&lt;br /&gt;- Uai. Uma bunda não pode estar em dois lugares ao mesmo tempo.&lt;br /&gt;- É você tem razão.&lt;br /&gt;- Vou beber água, você quer?&lt;br /&gt;- Quero, mas não gelada. Mistura com água do filtro.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5513232985402146187-8244875220313006877?l=omundodehenry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omundodehenry.blogspot.com/feeds/8244875220313006877/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omundodehenry.blogspot.com/2008/12/t-acordado-hummm-voc-t-acordado-uhumm.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5513232985402146187/posts/default/8244875220313006877'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5513232985402146187/posts/default/8244875220313006877'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omundodehenry.blogspot.com/2008/12/t-acordado-hummm-voc-t-acordado-uhumm.html' title='Dreeeeaaaammm, dream, dream, dream.'/><author><name>Henry McIllan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01925446600729867047</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://1.bp.blogspot.com/_M14r8xTf4RE/SVaVDR3_d0I/AAAAAAAAACQ/eJQRJbgsPhw/S220/perfil.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_M14r8xTf4RE/SVaBxxkFJjI/AAAAAAAAABE/XaZsHn3dcKY/s72-c/bunda_brasil.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5513232985402146187.post-4012491716676741863</id><published>2008-12-27T10:41:00.000-08:00</published><updated>2008-12-28T06:37:30.221-08:00</updated><title type='text'>Coisa de Homem</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_M14r8xTf4RE/SVZ-Bp9f6WI/AAAAAAAAAA8/izUT-aL2f8E/s1600-h/foto_TintaPoBX.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5284549779674622306" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 251px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_M14r8xTf4RE/SVZ-Bp9f6WI/AAAAAAAAAA8/izUT-aL2f8E/s320/foto_TintaPoBX.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Ei, que porra é essa no seu pé?&lt;br /&gt;- O que, meu amor?&lt;br /&gt;- Aí no seu pé. Que merda é essa?&lt;br /&gt;- O que tem no meu pé?&lt;br /&gt;- Na unha, na unha. O que é isso?&lt;br /&gt;- É esmalte. Vai dizer que nunca viu?&lt;br /&gt;- Lógico que já vi. Dãã. Mas por que sua unha tá pintada de vermelho? E só no pé?&lt;br /&gt;- Porque na mão descascou, eu tirei. Mas no pé fiquei com preguiça. Aí deixei.&lt;br /&gt;- Puta merda. Fala sério.&lt;br /&gt;- Fala sério você. Não acredito que vamos parar de transar porque você não gosta de esmalte vermelho na unha do pé.&lt;br /&gt;- Não é que eu não goste. Eu ODEIO. Eu acho o fim da picada. Se vai tirar o esmalte da mão, tira do pé também. Que relaxo.&lt;br /&gt;- Larga de ser bobo. Vai, continua fazendo aquilo. Tava booommmm...&lt;br /&gt;- Não, não. Pára. Não vou conseguir. Vou ficar pensando no seu pé, na sua unha.&lt;br /&gt;- Você não pode estar falando sério. Pára de viadagem.&lt;br /&gt;- Ah tá. Agora eu sou viadinho.&lt;br /&gt;- É. E tem mais. Tô indo embora. Eu e meu pé de unha vermelha.&lt;br /&gt;- Porra. Calma aí. Vamos conversar. Deve ter acetona em algum lugar por aqui.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5513232985402146187-4012491716676741863?l=omundodehenry.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://omundodehenry.blogspot.com/feeds/4012491716676741863/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://omundodehenry.blogspot.com/2008/12/coisa-de-homem.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5513232985402146187/posts/default/4012491716676741863'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5513232985402146187/posts/default/4012491716676741863'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://omundodehenry.blogspot.com/2008/12/coisa-de-homem.html' title='Coisa de Homem'/><author><name>Henry McIllan</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01925446600729867047</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://1.bp.blogspot.com/_M14r8xTf4RE/SVaVDR3_d0I/AAAAAAAAACQ/eJQRJbgsPhw/S220/perfil.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_M14r8xTf4RE/SVZ-Bp9f6WI/AAAAAAAAAA8/izUT-aL2f8E/s72-c/foto_TintaPoBX.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry></feed>
